
A atual campeã Argentina veio de trás para vencer a Inglaterra por 2 a 1 na segunda semifinal e marcar uma final de Copa do Mundo 2026 contra a Espanha.
Anthony Gordon colocou a Inglaterra na frente 10 minutos depois do intervalo, mas, em vez de administrar a vantagem, os Three Lions logo entregaram o controle do jogo, deixaram a Argentina dominar a posse e acabaram com o coração partido por dois gols no fim. A Argentina agora tenta se tornar apenas o terceiro país a vencer duas Copas seguidas, enquanto a Inglaterra terá de se reerguer para uma indesejada disputa de terceiro lugar contra a França. Veja a seguir as melhores estatísticas que você talvez não tenha percebido, com o simplesmente soberano Lionel Messi. Antes disso, confira a nossa análise tática do jogo.
Os números absurdos de Messi
Lionel Messi pode não ter marcado na vitória sobre a Inglaterra, mas teve um papel enorme na virada, dando as assistências para o empate e para o gol da vitória. No total, foram 94 toques na bola, 12 duelos ganhos, nove dribles certos em 11 tentativas, sete toques na área adversária e quatro chances criadas.
As duas assistências levaram Messi a quatro passes para gol e oito gols no torneio, o que o coloca à frente de Kylian Mbappé na disputa pela Chuteira de Ouro, decidida pelas assistências em caso de empate no número de gols. E, no cômputo geral de participações em gols em Copas, ele chega a absurdos 33 (gols mais assistências) em 33 jogos, oito a mais do que qualquer outro jogador da história, com Mbappé como o mais próximo, em 25. Os 21 gols de Messi são recorde, assim como as suas 12 assistências, 10 delas no mata-mata. Além disso, o craque de 39 anos marcou ou deu assistência em cada um dos seus últimos 13 jogos por clube e seleção.

Perfeição em semifinais
A Argentina mais uma vez brilhou sob a pressão de uma semifinal de Copa, avançando de todas as suas seis semifinais no torneio, um retrospecto notável. Esses feitos vieram nas edições de 1930, 1986, 1990, 2014, 2022 e 2026. Quando venceu a sua primeira Copa, em 1978, o torneio não tinha semifinais, com o vencedor de cada grupo indo direto à final.
A dor inglesa nas semis
A Inglaterra perdeu cada uma das suas últimas três semifinais de Copa, e a única vitória nessa fase veio em casa, em 1966, quando foi campeã. No século 21, houve apenas dois casos de uma seleção marcar primeiro numa semifinal e acabar perdendo, e, infelizmente para os ingleses, foi com eles nas duas vezes. Em 2018, Kieran Trippier abriu o placar contra a Croácia antes da virada. Em 2026, a história se repetiu: Gordon fez 1 a 0 aos 55 minutos, mas a Inglaterra não capitalizou, e a campeã mundial virou com dois gols no fim.
Finais seguidas
Com a virada, a Argentina chegou à sua sétima final de Copa, a terceira nas últimas quatro edições. Só a Alemanha tem mais (8). No processo, tornou-se apenas a sexta campeã defensora a fazer finais seguidas e agora pode ser a terceira seleção a manter o título, feito só de Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962).
Scaloni faz de novo
Lionel Scaloni se tornou apenas o sétimo treinador da história a alcançar duas finais de Copa, ao lado de Vittorio Pozzo (Itália, 1934 e 1938), Helmut Schön (Alemanha, 1966 e 1974), Mário Zagallo (Brasil, 1970 e 1998), Carlos Bilardo (Argentina, 1986 e 1990), Franz Beckenbauer (Alemanha, 1986 e 1990) e Didier Deschamps (França, 2018 e 2022). Ele agora pode ser o segundo, depois de Pozzo, a vencer duas Copas.

12% de posse
Em vez de matar o jogo após o gol de Gordon, a Inglaterra se fechou e entregou a iniciativa. Entre o gol de Gordon, aos 55 minutos, e o de Lautaro Martínez, aos 92, a Inglaterra teve apenas 12% de posse de bola, com a Argentina dominando os outros 88%. No jogo todo, os ingleses ficaram com 35% da bola.
Leões mansos
A partida começou pobre de ações: foi o primeiro jogo com registro no torneio (desde 1966) a ter zero finalizações nos primeiros 30 minutos. No fim, a Inglaterra deu apenas cinco chutes nos 90 minutos, contra 15 da Argentina, a sua menor marca em 60 anos. Só dois foram no alvo. Os ingleses criaram uma única grande chance, o próprio gol, tiveram um escanteio e apenas sete toques na área argentina.
Pedra no sapato: o top 10
A derrota por 2 a 1 estendeu um retrospecto ruim: a Inglaterra perdeu cada um dos seus últimos sete jogos de mata-mata em Copas contra seleções do top 10 da FIFA, desde a Copa de 1998, quando também caiu diante da Argentina.
14 seguidas
A virada fez a Argentina chegar a 14 vitórias seguidas em todas as competições, sete delas nesta Copa. A Albiceleste está invicta há 13 jogos de Copa desde a surpreendente derrota para a Arábia Saudita na estreia de 2022 e não perde desde um 1 a 0 para o Equador, em setembro, a sua única derrota nos últimos 22 jogos desde novembro de 2024.
Chuva de gols
A Argentina marcou 19 gols nesta Copa, o seu maior total numa única edição, superando os 18 de 94 anos atrás, na Copa de 1930. Foram 19 em sete jogos, mais do que qualquer outra seleção, e a equipe ainda ampliou o próprio recorde de marcar dois ou mais gols em 13 jogos seguidos de Copa.
A primeira derrota de Tuchel
Thomas Tuchel sofreu a sua primeira derrota em jogos oficiais no comando da Inglaterra, encerrando uma invencibilidade de 14 partidas. No total, são 12 vitórias, um empate e agora uma derrota. Também significa que mais uma Copa passa sem um treinador estrangeiro campeão à frente de uma seleção que não é a sua.
O recorde de Kane
Harry Kane fez o seu 121º jogo pela Inglaterra contra a Argentina, ultrapassando Wayne Rooney como o maior recordista de partidas entre os jogadores de linha do país. Só o goleiro Peter Shilton (125) vestiu a camisa inglesa mais vezes, e Kane deve alcançá-lo em breve.
O pequeno consolo inglês
Terminamos com um pequeno consolo para a Inglaterra: o gol de Gordon fez a seleção marcar mais gols nesta Copa (14) do que em qualquer outro grande torneio da sua história masculina, recorde que pode ampliar contra a França. Gordon também se tornou o quarto inglês a marcar numa semifinal de Copa, depois de Bobby Charlton (1966), Gary Lineker (1990) e Kieran Trippier (2018).

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