
A Argentina reverteu uma desvantagem de um gol contra a Inglaterra em menos de 10 minutos para garantir a sua vaga na final da Copa do Mundo 2026.
Não havia outro desfecho possível a não ser um final dramático entre a Albiceleste e os Three Lions. Considerando o que os dois passaram até aqui, com prorrogações e viradas, era o único jeito de terminar. E, para o neutro, o jogo entregou. O primeiro tempo poderia ter ido para qualquer lado: a Argentina teve mais posse, mas quase não criou nada que ameaçasse a Inglaterra, enquanto os ingleses não produziam à frente e pareciam seguros atrás.
Anthony Gordon, porém, colocou a Inglaterra em vantagem, um tanto contra o andamento do jogo. A Argentina então aumentou ainda mais a pressão e voltou à partida graças a um golaço de Enzo Fernández. Lautaro Martínez fez o 2 a 1 nos acréscimos e decidiu para a atual campeã. Confira o nosso guia da Copa do Mundo 2026.
Neste artigo, vamos abordar
- O domínio da Argentina
- A estratégia defensiva da Inglaterra
O domínio da Argentina
A Argentina basicamente precisa ter a bola para jogar bem e fazer funcionar o seu jogo de passes curtos e em proximidade. Já a Inglaterra passou a gostar cada vez mais de baixar as linhas e acelerar pelos lados quando possível. Então tudo aconteceu como esperado. Olhando só o segundo tempo, a Albiceleste melhorou bastante na volta do intervalo: se impôs mais e ocupou todo o campo de ataque, empurrando os Three Lions para trás. Para se ter ideia, a Argentina finalizou mais nos oito minutos iniciais da etapa final (três) do que no primeiro tempo inteiro (duas).

Mas, se o domínio e a intenção logo após o intervalo os deixaram melhores, também deram à Inglaterra uma rota de fuga que ela não tinha nos primeiros 45 minutos. Jordan Pickford e Harry Kane miraram muitas bolas longas para os lados, mas raramente tiraram algo delas. E os ingleses ainda contaram com um pouco de sorte na origem do gol de Gordon: Nicolás Tagliafico afastou pela metade, a bola sobrou para Declan Rice, que serviu Morgan Rogers para o cruzamento, e o novo reforço do Barcelona completou. Foi um contra-ataque rápido, com muito espaço para correr, aproveitando a linha alta da Argentina após uma longa sequência ofensiva no campo inglês.
A estratégia defensiva da Inglaterra
A Inglaterra então se sentiu confortável o bastante com a vantagem de um gol para ficar atrás, defender os cruzamentos e esperar as chances de contra-ataque. Parecia um plano seguro, já que teve a primeira grande chance do jogo. Só que a Argentina já era dominante e seguiu no mesmo caminho, principalmente com cruzamentos. É irônico, dado o perfil dos dois elencos, mas nós já tínhamos falado da presença aérea e da força em bola parada subestimadas da Albiceleste, e foi exatamente isso que ganhou o jogo.

O time de Lionel Scaloni tentou seis cruzamentos em 55 minutos antes de sofrer o gol. Nos 35 minutos restantes, mais que o dobro: 13 tentativas. E o mais interessante é que 17 dos seus 19 cruzamentos saíram do lado direito. Se as entradas na primeira trave mataram a Suíça, as bolas na segunda trave causaram estragos dentro da área inglesa. Nico González obrigou Pickford a um milagre, Alexis Mac Allister deu duas cabeçadas limpas, uma delas na trave, e Lautaro Martínez fez o gol da vitória justamente assim.

E a Argentina ficou cada vez mais perigosa lançando bolas na área à medida que a Inglaterra ficava mais alta atrás. Ezri Konsa, Dan Burn e Nico O’Reilly se juntaram a John Stones, Marc Guéhi e Reece James na defesa, e, ainda assim, os ingleses defenderam pior os cruzamentos. A entrada de Konsa, aliás, pode ter matado a Inglaterra. Não pelo defensor, mas porque Tuchel escolheu tirar justamente Gordon. Isso deixou os Three Lions num 5-4-1 fechado, com Jude Bellingham e Morgan Rogers pelos lados, sem rota de fuga nem opções rápidas de contragolpe.
Talvez a ideia fosse ter Bellingham e Rogers como alvos altos para as bolas longas ou para segurar a bola de costas e queimar tempo. Mas nada disso se concretizou, e a Inglaterra sucumbiu às mudanças ofensivas de Scaloni, entregando a vantagem de vez. Tuchel tinha a oportunidade perfeita de aproveitar o cenário que se apresentou, com Gordon ainda em campo para explorar o espaço nas costas da defesa, e com Bukayo Saka, Marcus Rashford e Noni Madueke no banco. O que poderia ter sido uma ampliação do que gerou o gol virou a sua desgraça: a Inglaterra nunca mais saiu do próprio campo, e a Argentina fez a sua coisa de novo e de novo até marcar duas vezes.
A Albiceleste mais uma vez se apoiou em golaços, cruzamentos e bolas paradas. Mas não houve nada de aleatório na sua vitória, principalmente por causa da varinha que é o pé esquerdo de Lionel Messi, que passou de marcar para servir os companheiros com a mesma facilidade. Agora é a final contra a Espanha.
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