
A Inglaterra venceu três dos quatro jogos da Liga das Nações da Uefa até aqui, batendo a República Tcheca (duas vezes) e a Croácia depois da derrota por 3 a 2 para a Espanha.
Uma grande área de experimentação de Thomas Tuchel nesta data Fifa tem sido o meio-campo e as laterais.
Elliot Anderson começou os três jogos, e Myles Lewis-Skelly foi titular duas vezes no meio ao lado do jogador do City, com Nico O’Reilly, Lewis Hall, Jarell Quansah e Trent Alexander-Arnold se revezando nas laterais.
Mas o movimento mais interessante de todos talvez tenha sido a estreia de Alex Scott pela Inglaterra: ele saiu do banco contra a República Tcheca e depois foi titular pela primeira vez na goleada por 7 a 0 sobre a Croácia.
O meio-campista de 23 anos vive grande fase no Bournemouth nos últimos 12 meses, mas por que ele pode ser a resposta para o problema de controle de Tuchel daqui para a frente?
Neste artigo, vamos abordar
- Ritmo e soluções na saída de bola
- Firmeza defensiva
- Potencial pouco explorado
Ritmo e soluções na saída de bola
Um grande tema entre os torcedores ingleses neste verão europeu foi o equilíbrio do time. Com Anderson e Declan Rice no meio, muitos apontavam que a seleção de Tuchel não tinha variedade de passe.
Some a isso as escolhas nas laterais, cujos melhores atributos eram sobretudo físicos e defensivos, e dá para entender que a Inglaterra talvez não tenha se dado as melhores bases de posse para prosperar, ou ao menos os perfis no elenco para mudar a dinâmica quando necessário.
Embora muitos falem da capacidade de passe ao discutir os problemas de meio-campo da Inglaterra, costuma-se ignorar os problemas de controle e de ritmo que nascem daí.
Scott foi um dos meio-campistas deixados em casa quando Tuchel convocou para a Copa do Mundo, assim como Adam Wharton.
Contra a Argentina, na semifinal da Copa, ficou claro que a Inglaterra não tinha os perfis adequados para ter a bola, criar momentos de controle e administrar o jogo cadenciando o ritmo.

Uma das principais qualidades que Scott traz ao grupo é a calma com a bola em todas as fases do jogo, seja baixando para a primeira linha, seja recebendo de costas como volante único ou numa dupla. Isso o ajuda a controlar o ritmo, tanto com passes de circulação quanto com conduções laterais para escapar da pressão e manter a posse.
Scott nunca parece apressado na construção, confortável em diferentes ritmos para controlar o fluxo do jogo. A execução limpa das suas ações ajuda a acelerar ou desacelerar as fases de posse, com boas decisões constantes que alimentam a sequência de passes seguinte.

O próprio Tuchel disse, ao falar da primeira partida de Scott como titular, contra a Croácia: “Ele é simplesmente o pacote completo. Nos deu muita mobilidade e muita variedade.”
A mobilidade citada por Tuchel se refere à capacidade de Scott de atuar em diferentes alturas do campo, muitas vezes com movimentos inteligentes para ser sempre uma opção para receber e combinar com os companheiros.
Scott é valioso na construção por essas características, administrando e controlando o fluxo do jogo, achando soluções para furar a pressão e chegando com frequência a posições vantajosas por causa desse trabalho.

Firmeza defensiva
Mas Scott não é só um jogador de luxo com a bola. Na verdade, a outra área do seu jogo elogiada por Tuchel foi a entrega sem a bola.
Nesta temporada, Scott é quem mais venceu duelos no chão na Premier League, com 30, enquanto Elliot Anderson, seu parceiro na seleção, é o segundo nessa métrica, com 29.

A natureza incansável de Scott permite que ele chegue constantemente às divididas, colocando-se em posições ativas para recuperar a posse e atrapalhar o adversário.
Ele é uma peça valiosa da defesa de repouso pela entrega sem a bola, muitas vezes atento ao perigo em transição e apagando incêndios antes que eles comecem de verdade.
É possível usar esse repertório defensivo numa pressão mais orientada ao homem, porque Scott tem resistência e fôlego para cobrir distâncias maiores, chegar no tempo certo e desacelerar na aproximação para pressionar bem a bola e forçar erros.
Ter Scott à disposição significa que Tuchel consegue colocar no time um meio-campista mais técnico, para construir uma abordagem mais conectada e controlada com a bola, sem abrir mão de atletismo e qualidade defensiva no setor.
Potencial pouco explorado
Por fim, há a fase ainda menos explorada do jogo de Scott: quando ele chega ao último terço.
Como dito antes, Scott é muito confortável em todas as alturas do campo, com capacidade de atuar não só como camisa 6 ou 8, mas também como 10.
A sua capacidade de jogar mais à frente, em espaços curtos e entre as linhas, permite que ele acelere o jogo com frequência, seja conduzindo a bola até o último terço, seja combinando com os companheiros para chegar a zonas avançadas.
Ele é fluido com a bola, ótimo em jogar contra o embalo da marcação e um jogador que rende conectando e combinando com os outros, o que ajuda não só a ele, mas faz com que os atacantes confiem a bola a ele e construam uma sintonia para encontrar soluções.
Scott adora buscar vantagens em tabelas, seguindo o próprio passe e continuando a corrida para ser a próxima opção do companheiro.
Nesses momentos, ele mostra a capacidade de jogar contra o embalo, seja conduzindo numa direção antes de combinar para voltar na outra, seja usando disfarce para passar na contramão da marcação, o que costuma gerar vantagens no último terço.

O produto final, porém, é a próxima peça do quebra-cabeça, já que criar finalizações para os outros e para si mesmo dentro da área adversária não é o seu maior ponto forte.
Quando o assunto é penetração em volta da área, Scott tem qualidade de sobra para encontrar soluções mais criativas e acessar a área adversária.
Considerando que ele chega bastante a essas posições, tanto pela capacidade de conduzir e progredir até o último terço quanto pela de combinar em espaços curtos e ganhar território no campo adversário, o próximo passo de Scott é ser mais efetivo nessas zonas quando chega lá. E jogar pela Inglaterra ao lado de Harry Kane e Jude Bellingham certamente vai ajudar.
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