
O fim da data Fifa está à vista, e um homem que volta ao futebol de clubes sob pressão é Vinícius Júnior.
O brasileiro tem sido o garoto-propaganda do Real Madrid nos últimos anos, com pelo menos 20 gols em todas as competições em cada uma das últimas cinco temporadas, além de 70 assistências no período.
Essas contribuições ajudaram os merengues a conquistar duas La Ligas, uma Copa do Rei e duas Champions Leagues. Vinícius seguiu com números incríveis mesmo com o Real Madrid passando por duas temporadas seguidas sem um grande título pela primeira vez desde os anos 2010.
Agora, porém, o atacante está firmemente sob a lupa depois de marcar apenas um gol e dar três assistências nos oito primeiros jogos de 2026/27. Vinícius chegou ao fundo do poço em setembro. Primeiro, foi vaiado pela torcida do Madrid ao sair no fim da vitória por 2 a 1 sobre a Inter, pela Champions League; depois, foi substituído com apenas 54 minutos na derrota por 2 a 1 no dérbi com o Atlético de Madrid, pouco antes da data Fifa, sem nenhuma finalização no alvo nem chance criada.
A má fase vem logo depois de Vinícius assinar, no meio do ano, uma renovação milionária por seis temporadas, após longos rumores com Arsenal, Manchester United e a liga saudita.
Mas, por trás dos números brutos de gols e assistências, como estão as métricas do jogador de 26 anos? Elas refletem o consenso sobre a má fase, ou apontam para um jogador apenas passando por uma maré de azar?
Gols e criação de chances
A falta de gols de Vinícius neste início de temporada é explicada pelo simples fato de ele não finalizar tanto, enquanto a qualidade dos chutes também caiu.
O jogador de 26 anos tem, na verdade, média de 10,35 toques na área adversária por 90 minutos entre La Liga e Champions League nesta temporada, acima dos 9,75 da temporada passada. Mas as finalizações e os chutes no alvo por 90 caíram para 3,31 e 0,83, respectivamente, contra 3,54 e 1,49 em 2025/26.
Isso resultou num xG por 90 de apenas 0,59 nessas competições nesta temporada, uma queda enorme em relação aos 1,05 da anterior.

Há um lado positivo para Vinícius e para o Real Madrid, porém. Enquanto o jogador tenta menos finalizações e de pior qualidade, ele está criando chances melhores para os companheiros.
O volume geral de chances criadas caiu para 1,79 por 90, contra 2,12 na temporada passada. Mas são oportunidades de qualidade muito maior: Vinícius cria 0,41 grande chance por 90, contra 0,34 na temporada anterior. A diferença é mais evidente na La Liga, em que o seu xA por 90 subiu de 0,18 para 0,28. Depois de apenas sete jogos, ele precisa de só mais duas assistências para igualar o total que conseguiu em 36 partidas de La Liga em 2025/26.
A veia criativa maior de Vinícius também aparece no salto considerável nos cruzamentos tentados, agora em 2,76 por 90 entre La Liga e Champions, contra 1,78 na temporada passada. Não surpreende ver as assistências por 90 subirem de 0,23 para 0,41.
Dribles e participação
Pode parecer óbvio, mas Vinícius não está fazendo a sua presença ser sentida porque, simplesmente, participa menos do jogo do Real Madrid. O ex-Flamengo tem média de apenas 48,73 toques por 90 entre liga e Champions nesta temporada, abaixo dos 57,13 da anterior.
O mapa de calor e os toques na área adversária mostram que Vinícius ainda ocupa posições muito parecidas no campo e recebe a bola nas mesmas zonas. Ele só está fazendo menos com ela.
Entrou um elemento de cautela no jogo de Vinícius: o jogador com 57 partidas pela seleção tenta 4,56 dribles por 90, contra 5,63 na temporada passada.
Claro que a culpa não é só do jogador. O Real Madrid já perdeu duas vezes nos sete primeiros jogos da La Liga e está seis pontos atrás da campanha perfeita do Barcelona. Também está 13 gols abaixo dos incríveis 31 marcados pelos blaugranas no período.
Mas houve uma queda inegável de qualidade e de quantidade no último terço por parte do brasileiro, que foi completamente ultrapassado por Kylian Mbappé, Jude Bellingham e até Arda Güler como decisores dos merengues.
Entrega e trabalho defensivo
Há informações na imprensa espanhola de que José Mourinho se prepara para tirar Vinícius do time titular, para que ele recupere as forças depois de um verão europeu de Copa do Mundo.
Pode ser exatamente o que o jogador precisa, mas não dá para acusá-lo de fugir das responsabilidades. Na verdade, enquanto a maioria das métricas ofensivas despencou, os números defensivos de Vinícius vêm subindo.
Vinícius tem média de 1,1 desarme, 0,14 interceptação e 1,24 posse recuperada no terço ofensivo por 90 minutos entre La Liga e Champions. Não são números notáveis, e nunca serão num time dominante como o Real Madrid. Mas representam um aumento considerável em relação aos 0,77, 0,07 e 0,7 da temporada passada nessas categorias.
A posse média do Real Madrid na La Liga caiu de 59,4% na temporada passada para 52,5% nesta. É um indicador do pragmatismo de Mourinho voltando a dominar o Santiago Bernabéu depois do seu retorno no meio do ano. Não é um estilo que tira o melhor de um talento imprevisível como Vini Jr., mesmo que ele esteja fazendo o possível para que funcione.
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