
O pior pesadelo do Real Madrid se concretizou: Kylian Mbappé saiu de campo mancando, lesionado, enquanto servia a seleção francesa.
O atacante foi obrigado a deixar o gramado aos 59 minutos da vitória da França por 1 a 0 sobre a Turquia, fora de casa, pela Liga das Nações da Uefa, na sexta-feira. Marcou o único gol do jogo, mas machucou o joelho no processo. Zinedine Zidane, técnico dos Bleus, admitiu que a lesão “não parece boa”.
O início de temporada do Real Madrid tem sido lento: o time já está seis pontos atrás do líder e arquirrival Barcelona na La Liga, depois de perder dois dos sete primeiros jogos. Atlético de Madrid e Real Betis também estão entre os merengues e o topo.
Atuando como centroavante, Mbappé é o artilheiro do Real Madrid, com sete gols no campeonato (só Raphinha tem mais, com 12, em toda a La Liga) e mais um na Champions League. Na verdade, o jogador de 27 anos é o único do elenco com mais de três gols na La Liga nesta temporada, e um de apenas três a marcar mais de uma vez.
O que o Real Madrid vai perder com a lesão de Mbappé
Gols são a falta mais óbvia que o Real Madrid vai sentir sem Mbappé, mas todos sabemos que o francês é muito mais do que um oportunista. É um jogador capaz de criar tanto para si mesmo quanto para quem está em volta.
Mbappé tentou (41) e completou (25) mais dribles do que qualquer outro jogador do Real Madrid nesta temporada, é o quarto do elenco em chances criadas (11) e fica atrás apenas de Vinícius Júnior (3) em assistências (2).
O ex-Monaco tem 53,66% de precisão nas finalizações. É um número impressionante por si só, mas ainda mais chamativo por ser o maior entre os jogadores do Real Madrid com cinco ou mais finalizações, sobretudo porque o seu grande volume de chutes naturalmente aumenta a chance de puxar essa média para baixo.
Mbappé participa muito mais do jogo do que centroavantes mais tradicionais: são 394 toques na bola na La Liga nesta temporada, numa média de 56,29 por 90 minutos. O primeiro número é o quarto do elenco, e o segundo, o sétimo entre os jogadores com pelo menos 50% dos minutos. Para comparar, Erling Haaland tem média de 25,8 toques por 90 no Manchester City, e até Harry Kane fica em 37,4 no Bayern de Munique.
Como José Mourinho pode repor esse tipo de produção total? Bem, ele tem algumas opções à disposição.
Quem vai substituir Mbappé?
Centroavantes de ofício
A escolha óbvia para entrar no lugar de Mbappé é Carlos Espi. O camisa 9 espanhol chegou do Levante no meio do ano por 21,5 milhões de libras, depois de uma temporada 2025/26 de explosão, com 13 gols em 27 jogos em todas as competições pelo clube valenciano, incluindo 11 gols em 25 partidas de La Liga.
Espi precisou ter paciência à espera de chances no Santiago Bernabéu, com apenas 25 minutos em cinco jogos de La Liga. Mas o jogador de 21 anos usou esses minutos brilhantemente, marcando gols decisivos no último minuto contra o Espanyol, na estreia do Real Madrid na temporada (2 a 1), e contra o Elche, em meados de setembro (3 a 2).

Haveria desvantagens em escalar Espi no lugar de Mbappé. Por exemplo, ele tentou apenas 1,61 e completou 0,81 drible por 90 minutos pelo Levante na La Liga da temporada passada, com média de só 32,69 toques por 90.
Mesmo levando em conta que o Levante era um time muito menos dominante do que o Real Madrid, essa queda acentuada mostra que Espi atua sobretudo como um finalizador tradicional, e não como o jogador completo em que Mbappé se transformou. É isso que fez dele um reserva de impacto tão valioso neste início de temporada.
Ainda assim, Espi já provou que pode ser um goleador confiável na La Liga, seja como protagonista do Levante ou como coadjuvante do Real Madrid. Se optar por um centroavante puro, é muito mais provável que Mourinho escale Espi na ausência de Mbappé do que Endrick, que tem apenas quatro minutos em todas as competições nesta temporada, por causa de uma lesão muscular.
Jude Bellingham de volta ao papel de falso 9?
Mourinho pode ficar muito tentado a escalar Jude Bellingham como centroavante improvisado até Mbappé voltar. Afinal, ele tem histórico na função.
Bellingham teve grande sucesso como falso 9 sob Carlo Ancelotti na sua temporada de estreia, em 2023/24. O inglês marcou 19 gols em 28 jogos de La Liga e mais quatro em 11 partidas de Champions League, ajudando os merengues a conquistar a dobradinha.
Nesta temporada, Bellingham tem sido nominalmente escalado como meia-atacante, mas atua principalmente no corredor interno esquerdo. Dali, consegue cortar para o pé direito e finalizar, além de poder isolar laterais, zagueiros ou volantes.
Quando pega os adversários no um contra um, Bellingham é um condutor implacavelmente potente e habilidoso. O ex-Birmingham City é o terceiro da La Liga em dribles certos (20), atrás apenas de Lamine Yamal (30) e Mbappé (25). O jogador de 23 anos também tem olho apurado para o passe: as suas 16 chances criadas são a segunda marca do Real Madrid e a quarta de toda a La Liga.
Tudo isso se combinou para dar a Bellingham três gols e duas assistências em sete jogos de La Liga neste início de temporada. Nos seus pouco mais de três anos em Madri, ele acumula belos 49 gols e 36 assistências em 148 jogos em todas as competições.
Mourinho tem histórico de usar camisas 9 tradicionais e físicos, de Didier Drogba e Diego Costa, no Chelsea, a Diego Milito, na Inter. Além disso, adiantar Bellingham criaria a necessidade de preencher a vaga dele no meio ofensivo.
Mas, em Bellingham, o treinador dos merengues tem um substituto já testado e aprovado, caso opte por algo diferente. E, na prática, seja Bellingham, Espi ou até Vini Jr. a assumir a função de centroavante, Mourinho vai precisar descobrir a melhor forma de repor o volume de finalizações e a produção ofensiva de Mbappé. E isso vai exigir um esforço coletivo, não uma simples troca de igual por igual.
Mais sobre as seleções: veja a nossa análise de Inglaterra x Espanha, com Bellingham em campo pelos Three Lions.