
A torcida do futebol tcheco vive grande expectativa para este verão, pondo fim a uma espera de 20 anos: a seleção retorna à Copa do Mundo pela primeira vez desde 2006.
Embora os Repre tenham presença confirmada em todas as Eurocopas desde a final de 1996, as eliminatórias da Copa do Mundo vinham sendo um obstáculo. Desta vez, a classificação veio pela repescagem, com duas vitórias consecutivas nos pênaltis dentro do Caminho D das eliminatórias da Uefa.
Difícil de superar e perigosa nas bolas paradas, a República Tcheca está no Grupo A, ao lado de África do Sul, Coreia do Sul e do anfitrião México.
O caminho da República Tcheca até a Copa do Mundo
A campanha das eliminatórias foi tudo menos tranquila. Os Narodak terminaram o Grupo L em segundo, seis pontos atrás de uma Croácia dominante, e tiveram de disputar a repescagem.
Os playoffs foram cheios de drama: tanto a semifinal contra a República da Irlanda quanto a final contra a Dinamarca terminaram empatadas em 2 a 2 após a prorrogação. Em ambas as partidas, o time de Miroslav Koubek avançou nos pênaltis.
O capitão Ladislav Krejci foi figura central na campanha: marcou o gol de empate nos minutos finais contra a Irlanda, em Praga, levando a partida para os pênaltis, e voltou a balançar as redes na prorrogação contra os dinamarqueses cinco dias depois.
Jogos da República Tcheca na Copa do Mundo 2026
A República Tcheca será uma das primeiras seleções a entrar em campo no torneio, disputando o segundo jogo da competição contra a Coreia do Sul, em Zapopan, no dia 12 de junho.
Depois, os Repre seguem para o norte para encarar a África do Sul em Atlanta, em 18 de junho, e encerram a fase de grupos diante do anfitrião México, em 25 de junho.
- Sexta-feira, 12 de junho – Coreia do Sul x República Tcheca, 03h00
- Quinta-feira, 18 de junho – República Tcheca x África do Sul, 17h00
- Quinta-feira, 25 de junho – República Tcheca x México, 02h00
Jogadores-chave da República Tcheca para a Copa do Mundo 2026
Principal candidato à Chuteira de Ouro: Patrik Schick
Estatística-chave: Patrik Schick é o segundo maior goleador de cabeça da Bundesliga na temporada 2025/26, com quatro gols.
Artilheiro dividido da Eurocopa 2020, Schick segue como a maior referência ofensiva da seleção, com 25 gols em 52 partidas pelo país. Aos 30 anos, soma 77 gols em 146 jogos pelo Bayer Leverkusen na Bundesliga até o momento. Forte no jogo aéreo, eficiente nas bolas no pé e capaz de servir de pivô para o restante do ataque, ele é, sem dúvida, o astro dos Repre. Nas eliminatórias, marcou cinco vezes em oito partidas — três delas de cabeça.
Principal articulador: Vaclav Cerny
Estatística-chave: Vaclav Cerny criou 4,22 chances por 90 minutos durante as eliminatórias pela República Tcheca, totalizando três assistências em sete jogos.
Ex-emprestado ao Rangers, Cerny segue como o jogador mais criativo da seleção. Aos 28 anos, criou 4,22 chances por 90 minutos nas eliminatórias, incluindo cinco grandes oportunidades que resultaram em três assistências. Formado nas categorias de base do Ajax, vive boa temporada no Besiktas, com quatro gols e oito assistências em 27 partidas pela Super Lig.
Especialista em desarmes (e em cartões): Ladislav Krejci
Estatística-chave: Ladislav Krejci recuperou 35 posses de bola no terço defensivo durante as eliminatórias da Uefa, o maior número entre todos os jogadores da competição.
O capitão tcheco marcou dois gols decisivos nos playoffs, mas é a contribuição defensiva que tem sido fundamental para a seleção nos últimos anos. Em nove jogos das eliminatórias, somou 17 desarmes, 10 interceptações e 48 cortes — embora também tenha recebido dois cartões amarelos. Aos 27 anos, foi um dos poucos jogadores do Wolves a sair com a imagem preservada após uma temporada complicada de 2025/26 na Premier League.
Promessa em ascensão: Adam Karabec
Estatística-chave: Adam Karabec é o único jogador tcheco a ter disputado três Campeonatos Europeus Sub-21 da Uefa (2021, 2023 e 2025).
O técnico Miroslav Koubek não é conhecido por apostar muito em jovens, mas o ponta de 22 anos Adam Karabec deve ser o caçula da convocação. Formado na base do Sparta Praga, vive uma temporada apenas regular emprestado ao Lyon, mas marcou dois gols em apenas cinco aparições pela seleção principal — ambos nas eliminatórias para esta Copa.
Especialistas em bolas paradas
- Pênaltis: Patrik Schick
- Faltas: Vaclav Cerny, Pavel Sulc
- Escanteios: Vaclav Cerny, Pavel Sulc

Análise tática e formação da República Tcheca
Médias por jogo da seleção tcheca nas eliminatórias:
- Escanteios: 7,5
- Finalizações no alvo: 6,1
- Finalizações no alvo sofridas: 3,8
- Impedimentos: 2,3
A tendência é que Koubek mantenha o esquema 3-4-2-1, formação adotada na maior parte das eliminatórias. O sistema valoriza as qualidades do elenco, com uma defesa fisicamente imponente e Schick centralizado como referência ofensiva, abastecido pela criatividade de Cerny e Pavel Sulc. Lukas Provod e Adam Karabec também devem brigar por minutos no setor ofensivo.
Os números traduzem bem o estilo da equipe: foi a seleção que mais venceu duelos aéreos nas eliminatórias europeias, a maior pontuadora em bolas paradas (10 gols) e a que mais tentou cruzamentos (284 no total). Espere uma equipe física, direta e empenhada em criar o maior número possível de oportunidades para o seu craque, Schick.
Análise do treinador
Chamar Miroslav Koubek, de 74 anos, de “experiente” talvez seja pouco. Treinador no país desde que se aposentou como jogador em 1983, ele se tornará o técnico mais velho da história a comandar uma equipe em uma Copa do Mundo neste verão, tendo assumido o cargo em dezembro após a demissão de Ivan Hasek.
Koubek parece o nome certo para o momento, ainda que talvez não para o longo prazo. Com vasto conhecimento do futebol local, ele deve explorar com naturalidade as virtudes deste elenco. Não espere um time particularmente vistoso do quatro vezes campeão pelo Viktoria Plzen — mas, sim, uma equipe muito difícil de ser batida.
Perguntas frequentes sobre a República Tcheca na Copa do Mundo
A República Tcheca já venceu a Copa do Mundo?
Não. Como parte da antiga Tchecoslováquia, o país foi vice-campeão em 1934 e em 1962. Já como República Tcheca, classificou-se apenas uma vez, em 2006, sendo eliminada na fase de grupos.
Como foi a campanha da seleção na última Copa?
Os tchecos não se classificaram para a Copa de 2022, terminando em terceiro no grupo das eliminatórias, atrás de Bélgica e País de Gales. Conseguiram vaga na repescagem graças à campanha na Liga das Nações, mas acabaram derrotados na prorrogação na semifinal.
Quem será o capitão da República Tcheca na Copa do Mundo?
O zagueiro Ladislav Krejci substituiu Tomas Soucek na capitania em março, por decisão do novo treinador.
Quem é o maior artilheiro da República Tcheca em Copas do Mundo?
O país disputou apenas uma Copa do Mundo desde a independência. Em 2006, perdeu por 2 a 0 para Gana e Itália, mas venceu os Estados Unidos por 3 a 0. Jan Koller marcou um dos gols e Tomas Rosicky, ex-ídolo do Arsenal, fez os outros dois.