
O Brighton é o terceiro colocado da Premier League depois de cinco rodadas, e Pascal Gross tem sido absolutamente fundamental.
Os Seagulls são o time que mais marcou no campeonato até aqui, e o meio-campista alemão participou diretamente de seis dos 16 gols.
Mas o impacto de Gross vai muito além das participações em gols no time de Fabian Hürzeler. A responsabilidade que ele assume com e sem a bola é essencial para o sucesso do Brighton em todas as fases do jogo.
Neste artigo, vamos abordar
- Estilo de jogo
- Impondo o controle
- Liderando a pressão
- Entregando o resultado
Estilo de jogo
Gross já foi descrito como um técnico dentro de campo, a ponte perfeita entre jogadores e comissão para concretizar as ideias táticas do Brighton.
O alemão chegou ao Brighton em 2017 e ficou sete anos no clube antes de voltar à Bundesliga, no Borussia Dortmund. Mas não ficou muito tempo longe do Amex: voltou em janeiro, para a alegria de Hürzeler.
Gross é um meio-campista à vontade em qualquer zona do campo, o que o torna perfeito para o estilo fluido de Hürzeler. Na carreira, o alemão já jogou como lateral-direito, camisa 6, camisa 8, camisa 10, atacante aberto e até centroavante.
Aos 35 anos, ele também já foi capitão do Brighton duas vezes nesta temporada, oferecendo liderança, experiência e um padrão de exigência pelo exemplo.
Os seus números nesta temporada mostram uma diferença clara entre a atividade no último terço e o trabalho sem a bola. Mas isso não capta nem metade do valor de Gross para o Brighton e para o seu sistema.

Impondo o controle
Ao falar de Gross na temporada passada, Hürzeler disse: “Ele consegue mudar o ritmo do jogo. Ele controla o jogo pela movimentação, pela inteligência.”
É uma capacidade parecida com a de Martin Odegaard, capitão do Arsenal, frequentemente elogiado por impor controle a uma partida usando justamente essa combinação de ritmo e movimentação.
O temperamento e a leitura de jogo de Gross permitem isso. Ele costuma começar em posições mais altas, mas é o movimento de cima para baixo que gera a superioridade na saída de bola: o meio-campista ou zagueiro adversário precisaria percorrer uma distância enorme para acompanhá-lo, e isso permite a Gross mudar o andamento do jogo e dar controle ao Brighton.

Depois de garantir o controle com essa rotação de cima para baixo e a mudança de ritmo, a capacidade de Gross de ligar passes, jogar contra o embalo do adversário e encontrar soluções progressivas é a chave dos padrões de posse do Brighton.
A sua postura relaxada, que induz o adversário a uma falsa sensação de segurança, é parte disso. Ele então disfarça as ações para acessar diferentes zonas do campo, dando controle ao Brighton não só nas zonas baixas, mas também à medida que o time avança pelos terços.
Liderando a pressão
Apesar dos 35 anos, Gross não fica devendo no trabalho sem a bola. O alemão tem papel vital na pressão alta de Hürzeler.
Na pressão em tiros de meta e reinícios, o meio-campo do Brighton é fundamental para forçar erros e impedir o acesso ao centro. Cada meio-campista precisa ter coragem e cumprir a sua função com total clareza, e é Gross quem dá o tom.
Quando o Brighton é empurrado para trás no seu 4-4-2, Gross costuma ser o gatilho para sair do esquema zonal e partir para a marcação individual. Ele salta sobre um meio-campista que recua ou passa da sua referência para pressionar o zagueiro livre, o que serve de sinal para o Brighton subir e encaixar homem a homem.

Gross não é, naturalmente, um jogador que depende do físico. Em vez disso, o alemão pressiona com inteligência, mantendo adversários na sua sombra de cobertura, direcionando-os para zonas congestionadas e engajando quando tem apoio por perto.
Ele não é alguém que se joga num grande volume de duelos e recuperações. Mas a inteligência e o posicionamento de Gross são vitais para a forma como o Brighton pressiona: afunilando o jogo para armadilhas ou forçando a bola longa contra uma defesa capaz de vencer os duelos. Tudo faz parte do plano, e Gross é a peça central dele.
Entregando o resultado
Gross fez oito jogos em todas as competições nesta temporada, com quatro gols e três assistências.
O alemão também é quem mais criou chances na Premier League até aqui, com 15.

Gross traz várias qualidades para o último terço. Tem a calma para escolher o melhor passe, a capacidade de cruzar com efeito a partir dos meios-espaços e ainda oferece qualidade nas bolas paradas.
Mas ele também mostrou que sabe chegar à frente e marcar os seus próprios gols, com gols contra Chelsea, Coventry City e Arsenal no campeonato, além de um contra o Manchester United na copa.
Cada gol mostrou uma qualidade diferente. Foi de cabeça contra o Chelsea, após um arremesso lateral longo; de pênalti contra o Coventry; com calma para ajeitar para a esquerda e bater na saída de Senne Lammens, num um contra um, contra o Manchester United; e de fora da área contra o Arsenal.
Se o meio-campista alemão mantiver esse nível ao longo da temporada, não vai destoar na conversa sobre o Jogador do Ano. Essa é a dimensão da influência de Gross no Brighton até aqui.
Mais sobre a Premier League: veja as melhores estatísticas da rodada 5, com o 3 a 0 do Brighton sobre o Arsenal, e a seleção da rodada, que tem Gross no meio-campo.