
México x Inglaterra foi mais um jogo de mata-mata dramático dos ingleses, desta vez contra o anfitrião México, com vitória por 3 a 2 no Azteca.
Mal chegamos às quartas de final e a Inglaterra já é a seleção mais testada da Copa do Mundo 2026. Depois de ficar 75 minutos atrás no placar contra a RD Congo nos 16 avos, o time de Thomas Tuchel teve de segurar a vantagem sobre o El Tri, no Azteca, para avançar das oitavas. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.
Jude Bellingham fez um pouco de tudo, mas o seu doblete relâmpago no primeiro tempo foi o ponto de virada. E os dois gols exemplificaram exatamente o que o técnico alemão queria do time.
Como a Inglaterra transformou o sofrimento inicial em vitória sobre o México?
O bom começo do México
Por uma boa meia hora, parecia que o México ia repetir contra a Inglaterra o que fez com o Equador na fase anterior. O anfitrião começou quente e levou o jogo aos ingleses, ao contrário do que se esperava. Foi também um começo infelizmente familiar para a própria Inglaterra, que já havia começado atrás contra a RD Congo.
O El Tri tentou esticar a Inglaterra na saída de bola, mas Tuchel não permitiu que o time deixasse muito espaço entre jogadores e linhas. Assim, Harry Kane, Bellingham e Bukayo Saka pressionaram alto, e os outros sete de linha ficaram atrás. Isso permitiu ao México dominar a posse e chegar ao campo de ataque. Os mexicanos deram quatro das primeiras finalizações e prenderam a Inglaterra no próprio campo por um tempo.
A Inglaterra entrou no jogo com a quarta maior média de posse do torneio (63%), mas se viu com 37% contra o México até o gol de Bellingham.
A Inglaterra acalma o jogo
No início, parecia que a Inglaterra estava pronta para aproveitar qualquer oportunidade de acelerar o jogo e achar a defesa mexicana desorganizada. Mas, com a força do México, teve de fazer exatamente o oposto: acalmar o jogo. Tocar devagar, ganhar tempo sempre que a bola saía, qualquer jeito de frear os mexicanos.
A parada para hidratação também ajudou, como tem ajudado muitas equipes que começam mal nesta Copa.

Foi um trecho de uns 10 minutos em que a Inglaterra realmente segurou a posse e estrangulou o ritmo do jogo. Nesse intervalo, Jordan Pickford começou a jogar curto, em vez de bater longo.
A estratégia de Tuchel executada com perfeição
Se a Inglaterra jogou mal nos primeiros 20 minutos, a gestão de jogo de Tuchel foi certeira dali até o intervalo. Ele acalmou o suficiente para que fosse seguro voltar a executar a estratégia. E foi feita com perfeição.


Pickford buscava sempre passes longos para Bukayo Saka e Anthony Gordon correndo por trás. Essa era grande parte do plano. E não só com Pickford, mas com todos. O cartão vermelho de Jarell Quansah obviamente forçou a Inglaterra a um jogo mais direto. O resultado foi o seu maior percentual de bola longa numa partida nesta Copa, de longe.
| Adversário da Inglaterra | % de bola longa |
|---|---|
| México | 18,4% |
| RD Congo | 6,4% |
| Panamá | 6,5% |
| Gana | 4,1% |
| Croácia | 8,6% |
Depois de várias tentativas de convidar a pressão e jogar em profundidade, uma enfim funcionou. Um ataque mexicano falho deixou a defesa sem estrutura: Pickford tocou rápido para Declan Rice, que conduziu da entrada da própria área até o último terço do outro lado e passou para o companheiro de Arsenal Saka, que cruzou brilhantemente para Bellingham.
Pouco depois, a Inglaterra pegou o México desprevenido de novo, desta vez graças a um desarme de Elliot Anderson. Gordon passou para Bellingham, que empurrou para o gol vazio após uma tabela com Kane. Duas transições rápidas e diretas após a recuperação da bola que o meia do Real Madrid transformou em gols ao chegar de trás na área.

Notas do ataque mexicano
Embora esses dois gols tenham decidido o jogo, não o encerraram ali. O México respondeu à rápida vantagem inglesa e diminuiu antes do intervalo. O anfitrião teve muito sucesso ao cruzar para a área, sobretudo pela direita. A esquerda, na teoria, tinha mais poder ofensivo com Julián Quiñones e Jesús Gallardo, mas eram Gilberto Mora e, principalmente, Roberto Alvarado que criavam mais perigo pela direita.
Raúl Jiménez forçou duas ótimas defesas de Pickford com cabeçadas perigosas em cruzamentos vindos da direita, aparentemente a melhor fonte de criação mexicana. No segundo tempo, porém, Aguirre voltou com foco na esquerda.

A mudança de Tuchel para um 5-3-1 após a expulsão de Quansah lotou o miolo da defesa e elevou a altura média da Inglaterra. John Stones e Dan Burn somaram 11 cortes, apesar de o primeiro jogar 33 minutos e o segundo apenas 15. Isso convidou o México ao campo de defesa inglês, mas reduziu muito a criatividade do anfitrião: a Inglaterra estava preparada para afastar cruzamentos, e não restou muito além de um pênalti para ameaçar.
Não foi bonito nem convincente, mas foi uma vitória dramática em que cada jogador deixou tudo em campo. O tipo de triunfo que une um time, ainda que cobre um preço físico. Para se ter ideia, o craque do jogo, Bellingham, mal conseguia ficar de pé após o apito final.
Por sorte, a Inglaterra só volta a jogar dali a seis dias. E, embora a Noruega tenha eliminado o Brasil horas antes, é um adversário acessível para os ingleses buscarem a semifinal.
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