
A Noruega estreou com vitória no seu tão esperado retorno à Copa do Mundo, batendo o Iraque por 4 a 1 em Boston na noite de terça-feira.
Erling Haaland abriu o placar para os escandinavos aos 29 minutos, com o seu primeiro gol em Copas do Mundo. Dez minutos depois, porém, a Noruega levou um susto quando Ayman Hussein empatou para o Iraque, ganhando de Torbjorn Heggem no alto e mandando um cabeceio certeiro.
O Iraque, contudo, se complicou sozinho pouco antes do intervalo: o goleiro Jalal Hassan demorou demais para receber um recuo e permitiu que Haaland bloqueasse a saída de bola e empurrasse a bola para o gol, recolocando a Noruega na frente.
Apesar de uma atuação corajosa do Iraque, a Noruega liquidou a fatura aos 76 minutos, quando o substituto Leo Ostigard completou um escanteio primoroso cobrado pelo capitão do Arsenal, Martin Odegaard. Kristian Thorstvedt ainda deu números finais ao resultado nos minutos finais. Acompanhe tudo sobre o torneio no nosso guia completo da Copa do Mundo 2026.
Erling Haaland chega ao palco da Copa do Mundo
Campeão e artilheiro da Premier League. Campeão da Liga dos Campeões em uma campanha de tríplice coroa. Multicampeão de copas nacionais. Goleador implacável.
Erling Haaland já conquistou muita coisa no futebol. Praticamente tudo o que se pode vencer no nível dos clubes, e ainda virou o maior artilheiro da história da sua seleção com apenas 25 anos.
Antes desta partida, no entanto, o gigante centroavante ainda não havia tocado em uma bola em Copas do Mundo.
Isso mudou de vez, e Haaland se apresentou no maior palco de todos com estilo de sobra.
Poucas horas depois de ver Kylian Mbappe marcar duas vezes para se tornar o maior artilheiro da França e chegar ainda mais perto do recorde de Miroslav Klose em Copas, Haaland balançou as redes duas vezes e enfim inaugurou a sua conta no torneio.
Mapa de finalizações de Erling Haaland contra o Iraque

O primeiro foi um gol tipicamente Haaland, com o atacante do Manchester City invadindo a segunda trave para completar uma excelente bola enfiada por David Moller Wolfe. O segundo foi um retrato dos padrões que o atacante impõe: Haaland liderou a pressão e flagrou o goleiro Hassan, do Iraque, que esperou demais a bola chegar.
Para além dos gols, a postura de Haaland foi impressionante: o atacante venceu sete dos seus nove duelos, fez um corte e duas recuperações de bola. E, em outro dia, Haaland poderia ter assumido uma liderança folgada na Chuteira de Ouro, já que desperdiçou duas chances claras e finalizou cinco vezes, recorde da partida.
Haaland chegou à Copa do Mundo e parece estar no tipo de fase capaz de levar a Noruega longe no torneio. Mbappe, Harry Kane e Lionel Messi vão ficar de olho.
Iraque obriga a Noruega a provar o seu valor
Houve muito pessimismo antes do torneio em relação ao formato ampliado e ao número de seleções supostamente “menores” em campo nesta Copa do Mundo.
No entanto, o empate de Cabo Verde com a Espanha roubou as manchetes, enquanto Curaçao assustou a Alemanha antes de ruir e o Haiti levou a Escócia ao limite. Os azarões apareceram.

Foi o que aconteceu de novo aqui, com o Iraque dando início à sua segunda participação em Copas do Mundo e à primeira desde 1986.
O cabeceio de Hussein para empatar com a Noruega vai ficar para sempre na história do futebol do Iraque, ainda mais por ter vindo dias depois de o jogador ter sido detido por sete horas e quase impedido de entrar nos Estados Unidos. E foi um momento mais do que merecido, após uma forte exibição no primeiro tempo. Se ao menos Ali Al Hamadi tivesse convertido ao disparar nas costas da defesa norueguesa nos acréscimos do primeiro tempo, ou se a incrível meia-bicicleta de Akam Hashem tivesse entrado por baixo do travessão no fim da etapa inicial.
No fim, a qualidade da Noruega falou mais alto. Ainda assim, o placar de 4 a 1 foi cruel demais com um Iraque aguerrido, que finalizou 11 vezes, teve 18 toques na área adversária e ficou com 39% de posse de bola diante de um rival muito superior.
Independentemente do placar, o Iraque provou que tem lugar na Copa do Mundo e papel a cumprir neste suposto grupo da morte.
Laterais da Noruega: ajuda ou estorvo?
Em um time com nomes como Odegaard e Antonio Nusa, foram os laterais da Noruega que se destacaram como faíscas criativas em Boston.
Moller Wolfe deu a assistência do gol de abertura com um cruzamento rasteiro primoroso para a trave mais distante, achando Haaland. E isso vem na esteira de uma temporada em que ele registrou três assistências em todas as competições por um Wolves em apuros.
Do outro lado, Julian Ryerson, do Borussia Dortmund, foi ainda mais dinâmico: criou três chances, recorde da partida, e mandou nada menos que nove cruzamentos para a área do Iraque.
Os dois laterais claramente receberam a orientação de ignorar em boa parte as funções defensivas e avançar para apoiar o ataque.
Mas aí mora o dilema de Stale Solbakken, porque, embora os laterais tenham sido uma válvula de escape ofensiva valiosa, eles podem não escapar impunes desse estilo nos próximos jogos.
Posições médias da Noruega contra o Iraque

Alguns dos melhores momentos do Iraque vieram quando exploraram os corredores, jogando bolas nos espaços deixados pelos laterais da Noruega e levando a bola à área. Foi exatamente assim que saiu o gol: Amir Al-Ammari achou espaço de sobra pela esquerda após uma marcação passiva de Ryerson, antes de encontrar Hussein na segunda trave.
Ryerson, em especial, mostrou fragilidade defensiva, perdendo oito dos seus 13 duelos e sendo driblado duas vezes.
A pura qualidade da Noruega em outras posições permitiu que ela escapasse impune diante do Iraque. Mas o próximo adversário é Senegal, que tem nomes como Sadio Mane, Ismaila Sarr e Iliman Ndiaye pelos lados. E depois vem a França, que pode escalar qualquer combinação entre Kylian Mbappe, Desire Doue, Ousmane Dembele, Michael Olise ou Bradley Barcola nas pontas, sem falar em Rayan Cherki.
Se a Noruega for tão agressiva com os laterais nesses jogos, pode ser castigada por adversários de elite. Isso talvez não custe uma vaga no mata-mata, mas avançar como terceira colocada deixaria a vida muito mais difícil para esta azarona badalada.
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