
EUA x Bélgica terminou com vitória belga por 4 a 1, que levou a equipe às quartas de final e marcou um confronto com a Espanha por uma vaga na semifinal.
O time de Rudi Garcia começou muito forte, com quatro finalizações (duas no alvo) nos dois primeiros minutos. Não demorou para abrir o placar: Nicolas Raskin achou Charles De Ketelaere na área para o 1 a 0. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.
Embora a Bélgica controlasse o jogo, os EUA reagiram: ganharam uma falta e marcaram na primeira finalização, com um chute de Malik Tillman desviado para longe de Thibaut Courtois. Dois minutos depois, porém, De Ketelaere recolocou a Bélgica à frente ao completar o cruzamento de Leandro Trossard, fazendo 2 a 1.
Mauricio Pochettino fez mudanças ofensivas no intervalo, mas foi a Bélgica quem ampliou aos 57 minutos: Hans Vanaken marcou o 3 a 1 após um erro grave de Matthew Freese na saída de bola. Os EUA não conseguiram reagir, e Romelu Lukaku fez o quarto para confirmar a classificação.
EUA x Bélgica: a análise tática
Os ajustes táticos da Bélgica
Garcia fez mudanças corajosas antes do jogo, deixando Kevin De Bruyne e Jérémy Doku no banco. Essas ausências de peso permitiram um 4-2-3-1, com alguns detalhes táticos claros. Primeiro, a postura defensiva foi excelente para sufocar os EUA de Pochettino, pegando-os de surpresa e travando a saída de bola.

A Bélgica se armou para defender num 4-2-3-1 que podia virar 4-4-1-1, com De Ketelaere subindo em Chris Richards. Trossard e Dodi Lukebakio pressionavam os zagueiros de fora, enquanto os laterais belgas cuidavam dos homens de lado dos EUA. Youri Tielemans (Vanaken, após a saída precoce de Amadou Onana) cobria Tyler Adams no meio. Esse começo agressivo negou aos EUA o acesso central que eles buscam.

Com a bola, a Bélgica saía em 4-2-4, abrindo os zagueiros ao lado de Courtois. Os laterais avançavam, o duplo pivô ficava fixo e o quarteto ofensivo jogava fechado. A ideia era arrastar o adversário da sua pressão em losango, achar acesso ao meio e forçar Adams a subir (perdendo o seu +1). Isso dava à Bélgica um 4 contra 4 na última linha quando ia direto por cima da pressão, o que teve papel importante no segundo gol.

As dificuldades ofensivas dos EUA
O time de Pochettino, por outro lado, penou no ataque, sem encontrar o ritmo dos jogos anteriores. Boa parte da sua identidade ofensiva depende de combinações centrais, muitas rotações, movimentos para esticar o bloco e sintonia. Quando esses padrões saem levemente do lugar, é difícil achar soluções, porque tudo depende de os jogadores estarem na mesma página.

No início, os EUA se armaram no habitual 3-1-6, com Alexander Freeman mais baixo e Antonee Robinson subindo. Diante da dificuldade nos primeiros 25 minutos (antes da parada para hidratação) para furar a pressão belga, Pochettino ajustou: ao subir Freeman, os EUA mantiveram um +1 na saída com os dois zagueiros contra De Ketelaere. Com Vanaken seguindo Adams, os EUA tinham Sergiño Dest, Weston McKennie, Tillman e Christian Pulisic para rodar e achar espaços entre as linhas belgas.
Com o jogo, a Bélgica baixou ainda mais para proteger a vantagem, e Pochettino apostou em mudanças mais ofensivas, incluindo a saída de Adams aos 72 minutos para Ricardo Pepi. Mesmo colocando mais gente à frente, os EUA não acharam o ritmo necessário e não conseguiram incomodar a Bélgica, apesar de terem mais a bola no segundo tempo.
O ataque belga pega fogo
Mesmo sem Doku e De Bruyne, as dinâmicas ofensivas da Bélgica pareceram as melhores do torneio. Lukebakio deu mais objetividade, fazendo corridas sem bola e conduzindo em cima dos marcadores pelos lados e pelo meio. O ponta de 28 anos completou seis dos oito dribles tentados, levando a Bélgica ao ataque e pressionando a defesa americana.

Vanaken entrou aos 21 minutos no lugar de Onana e fez um gol e uma assistência, validando a escolha de Garcia por ele em vez de De Bruyne. De Ketelaere marcou os seus dois primeiros gols no torneio: a decisão de escalar o craque da Atalanta se justificou de novo, com dois gols em três finalizações, uma assistência e três passes decisivos. Trossard parece ser o único fixo no ataque belga e também deu uma assistência, com um belo cruzamento para De Ketelaere cabecear.
Com a Espanha pela frente, será interessante ver se Garcia mantém o time que entregou contra os EUA ou se cede à tentação de recolocar Doku e De Bruyne.
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