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A dependência de Messi na Argentina: análise – Copa do Mundo 2026

A Argentina está nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. Mas a atual campeã pode não ser tão convincente quanto se imaginava.

A Albiceleste fez uma fase de grupos perfeita, com três vitórias. Também era esperado que passasse com tranquilidade por Cabo Verde nos 16 avos, mesmo com os Tubarões Azuis sendo uma das surpresas do torneio. Mas a Argentina teve de suar para vencer por 3 a 2 na prorrogação, saindo na frente duas vezes e sendo alcançada nas duas. Agora enfrenta o Egito nas oitavas e pode pegar Suíça ou Colômbia nas quartas, se chegar lá. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.

A pergunta é: a Argentina consegue chegar? E, se passar por esses jogos, tem qualidade para ser campeã do mundo de novo?

Os problemas da Argentina na Copa

Números de criação preocupantes

Só a França (13) chegou às oitavas com mais gols na Copa 2026 do que os 11 da Argentina. E a campeã não dependeu de uma goleada para inflar os números: marcou três gols em três jogos diferentes, ao contrário da Alemanha, que fez sete dos seus 11 num único jogo antes de cair nos 16 avos.

À primeira vista, isso não preocupa. Mas os números mais profundos acendem um alerta. As chances criadas não são a melhor métrica para avaliar um time, mas ajudam a mostrar, de forma geral, o quanto uma equipe cria coletivamente. E a Argentina não tem criado. Das 32 seleções que chegaram ao mata-mata, a Argentina foi a 25ª em chances criadas. As suas 30 chances a deixaram atrás de Cabo Verde (33), Suécia (39) e Equador (45). Entre as que chegaram às oitavas, só o Paraguai (22) criou menos.

Radar de estatísticas da Argentina na Copa do Mundo 2026

Em grandes chances criadas está um pouco melhor (sete), mas ainda é a 19ª entre as 32. De novo, entre as que chegaram às oitavas, só Egito (seis) e Paraguai (três) criaram menos. E, dos 11 gols da Argentina, apenas seis saíram de jogadas de bola rolando. Sem diminuir o valor das bolas paradas, há um problema de dependência: só seis das seleções que chegaram aos 16 avos tiveram um percentual menor de gols de bola rolando do que os 55% da Argentina.

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Todos os caminhos levam a Messi

A Argentina deu 56 finalizações na Copa até aqui, a 12ª maior marca entre os times ainda vivos. Mas Lionel Messi deu 24 delas. Enzo Fernández é o único outro argentino a finalizar mais de cinco vezes (seis). Ou seja, Messi deu 42,86% das finalizações da Argentina.

É ainda mais gritante nas finalizações no alvo. A Argentina acertou 25 no torneio, e apenas 10 não foram de Messi. São 60% dos chutes no alvo vindos de um só homem. Quando esse homem é Messi, claro, não é tão ruim. Mas ele não pode fazer tudo sozinho todo jogo, ainda mais aos 39 anos.

Gráfico do xG da Argentina com e sem Messi na Copa do Mundo 2026

Líder da artilharia, Messi é, sem surpresa, o goleador da Argentina, com sete gols. Mas há outro dado curioso: o zagueiro cabo-verdiano Diney é o segundo maior “artilheiro” da Argentina, com um gol (contra), tantos quanto Giovani Lo Celso, Lautaro Martínez e Lisandro Martínez.

Como equipe, a Argentina produziu 7,41 de gols esperados (xG) na Copa. Messi, porém, é grande parte disso: sozinho, registrou 3,22 de xG, com 4,07 de xG pós-finalização. Ou seja, é o acabamento de Messi que melhora muito as chances de gol da Argentina. Sem ele, o posicionamento das finalizações do time o tornaria menos perigoso. O fato é que a Argentina construiu todo o time para abastecer Messi. Então, quando ele não está livre para receber em zonas-chave, ou nem está em campo, sobra pouco.

Todos os caminhos começam em Messi

Não pode estar tão ruim para a Argentina se ela sabe que terá Messi no fim das jogadas, certo? Bem, e se Messi também for o que mais aparece no início delas? Ele é, possivelmente, o maior de todos os tempos, mas não pode dar assistência para si mesmo.

Das 30 chances criadas pela Argentina, Messi criou mais que qualquer companheiro: nove. Há oito outros jogadores com pelo menos duas, e Alexis Mac Allister é o segundo, com quatro. Mas Messi criou quatro das sete grandes chances da Argentina.

Nos passes para dentro da área, a Argentina fez 86 na Copa (passes que levam a bola de fora para dentro da área). É a 25ª maior marca do torneio, nada brilhante para a campeã. E Messi fez 30 desses passes sozinho, mais que qualquer argentino e 34,88% do total. Rodrigo De Paul é o segundo, com 15, o único outro a chegar às dezenas.

Então, mais uma vez, a Argentina depende demais de Messi para os passes de perigo na área. Passes que também querem que ele receba, para marcar. Por enquanto, a dependência de Messi está funcionando. Mas será que ela pode levar a Argentina ao bicampeonato mundial?

Mais sobre a Copa do Mundo 2026: veja o nosso guia completo da Copa do Mundo 2026 e o chaveamento do mata-mata.