
Oliver Glasner está virando o jogo aos poucos no Nottingham Forest, à medida que implanta as suas ideias no elenco.
Apesar da derrota por 1 a 0 para o Leeds United na estreia na Premier League, o time de Glasner está invicto nos três jogos seguintes. São um empate por 2 a 2 com o Liverpool em Anfield, um 0 a 0 com o Tottenham em que o Forest foi infeliz por não sair com os três pontos, e a primeira vitória da temporada no fim de semana passado, por 2 a 1 sobre o Aston Villa, em Villa Park.
Mas o que exatamente Glasner está fazendo na tentativa de devolver o sucesso ao City Ground, depois de uma temporada decepcionante no campeonato?
Neste artigo, vamos abordar
- Os dados até aqui
- A abordagem de Glasner sem a bola
- A ameaça em transição
Os dados até aqui
A marca de Glasner no time já aparece cedo: para começar, o seu Forest tem apenas 43,1% de posse de bola por jogo. Com menos bola, a base da equipe é a resistência defensiva. São só 4,12 gols esperados sofridos nas quatro primeiras rodadas da Premier League, e apenas Arsenal e Manchester City sofreram menos xG.

Conseguindo absorver tanta pressão com uma estrutura defensiva sólida, o Forest ganha a chance de sair rápido em transição e criar problemas para o adversário desse jeito, algo que fez com efeito devastador no seu melhor momento sob o comando de Nuno Espírito Santo, na temporada 2024/25, quando se classificou para as competições europeias.
O Forest tem a menor duração média de posse da temporada, com 7,15 segundos, além do segundo menor número de passes por sequência, 2,76. Em compensação, tem uma velocidade direta de 1,91, a sétima da Premier League nessa métrica.
| Pos | Time | J | xG a favor | xG contra | Saldo de xG |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Brighton | 4 | 8,92 | 7,00 | +1,92 |
| 2 | Brentford | 4 | 7,45 | 5,76 | +1,69 |
| 3 | Manchester United | 4 | 7,42 | 4,49 | +2,93 |
| 4 | Manchester City | 4 | 6,54 | 3,29 | +3,25 |
| 5 | Arsenal | 4 | 6,47 | 3,13 | +3,34 |
| 6 | Liverpool | 4 | 6,45 | 5,01 | +1,44 |
| 7 | Bournemouth | 4 | 6,29 | 4,49 | +1,80 |
| 8 | Chelsea | 4 | 6,22 | 6,60 | -0,38 |
| 9 | Nottingham Forest | 4 | 6,13 | 4,16 | +1,97 |
| 10 | Sunderland | 4 | 6,01 | 5,27 | +0,74 |
| 11 | Fulham | 4 | 5,81 | 6,01 | -0,20 |
| 12 | Leeds United | 4 | 5,70 | 5,19 | +0,51 |
| 13 | Ipswich Town | 4 | 4,83 | 6,08 | -1,25 |
| 14 | Crystal Palace | 4 | 4,70 | 7,70 | -3,00 |
| 15 | Everton | 4 | 4,61 | 5,53 | -0,92 |
| 16 | Hull City | 4 | 4,07 | 5,20 | -1,13 |
| 17 | Coventry City | 4 | 3,94 | 5,95 | -2,01 |
| 18 | Tottenham | 4 | 3,66 | 6,79 | -3,13 |
| 19 | Newcastle United | 4 | 3,54 | 7,38 | -3,84 |
| 20 | Aston Villa | 4 | 3,15 | 6,88 | -3,73 |
Nos quatro primeiros jogos, o Forest gerou 6,13 de xG e marcou quatro gols, ou seja, está 2,13 abaixo do esperado até aqui. Mesmo assim, com um saldo de xG de +1,97, o Squawka coloca o Forest em quarto na tabela de xG da Premier League, atrás apenas de Manchester United, Manchester City e Arsenal.
A abordagem de Glasner sem a bola
Muito parecido com o que fazia no Crystal Palace, Glasner arma o Forest num 5-2-3 sem a bola, sem procurar a pressão imediata na saída adversária. A ideia é ficar numa estrutura de bloco médio mais zonal, empurrando o adversário para os lados e bloqueando o acesso pelo meio.

Isso é feito com o trio de frente fechando o acesso aos volantes adversários, enquanto um (às vezes os dois) dos meio-campistas fica pronto para saltar caso o rival ache o passe para o seu pivô. Os zagueiros também ficam prontos para acompanhar e proteger o espaço deixado por quem saltou, mantendo as unidades o mais compactas possível.
Quando a bola vai para os lados, espera-se que os dois pontas por dentro trabalhem duro para ajudar a prender o adversário na faixa lateral, com os alas ativos para sair na pressão e o resto da linha defensiva deslizando junto.

Quando o Forest é empurrado para trás, o desenho passa a lembrar mais um 5-4-1, com os pontas por dentro ajudando contra as combinações de lateral e ponta do adversário. Nesse bloco mais baixo, a comunicação para garantir compactação entre as linhas e menos brechas tem sido muito boa. Some isso à vontade de impedir os cruzamentos pelos lados e aos três zagueiros resolvendo o que chega na área, e o Forest tem uma boa mistura de características para absorver pressão num bloco baixo, o que depois alimenta o seu ataque.
A ameaça em transição
No basquete, existe uma filosofia popular: “a defesa alimenta o ataque”. Isso porque, defendendo bem, seja roubando a bola ou pegando o rebote, a jogada segue viva e dá para atacar rápido antes que o adversário se organize atrás. No futebol é parecido: times que defendem bem num bloco mais baixo e absorvem pressão naturalmente ganham oportunidades de sair rápido em transição.

O Forest no seu melhor, em 2024/25, era mestre nisso: absorvia pressão e tinha alguns dos melhores condutores do campeonato para puxar os ataques quando recuperava a bola. O Palace de Glasner também era excelente nesse aspecto, com Adam Wharton frequentemente capaz de lançar de regiões mais recuadas assim que a bola era recuperada, transformando defesa em ataque em poucas ações.
Com reforços como Liam Delap, que se destaca correndo em transição e brigando com os zagueiros, ao lado de jogadores como Morgan Gibbs-White, Dan Ndoye e James McAtee, que conduzem bem, e alas prontos para esticar as pernas no espaço, Glasner já criou um time que pode brilhar nesse quesito. O Forest também produz esses momentos com a pressão após a perda, tentando sustentar o cerco no campo adversário e forçar erros para atacar contra uma defesa desorganizada.
Talvez a função ofensiva mais interessante seja a de McAtee, que joga numa dupla de volantes ao lado do reforço Xaver Schlager, mas com muito mais liberdade para flutuar e combinar mais à frente. Enquanto Schlager é a opção mais defensiva, ficando mais fixo por dentro, atrás da linha da bola, para cortar transições e proteger a defesa, McAtee busca tabelas, faz corridas nas costas da defesa adversária e tenta deixar a sua marca no campo de ataque.
Isso também permite que Gibbs-White ocupe os espaços que McAtee deixa nas zonas mais recuadas, criando uma fluidez entre os dois pontas por dentro e McAtee que desorganiza a pressão adversária e abre soluções no ataque.
O Forest recebe o Coventry neste fim de semana, no City Ground, com a chance de entrar na data Fifa com oito pontos em cinco rodadas e uma invencibilidade de quatro jogos para manter depois da pausa.
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