
A Copa do Mundo é o ápice do futebol e proporcionou alguns dos maiores momentos da história do esporte.
A maioria aconteceu no tempo regulamentar, mas muitos outros foram protagonizados de forma dramática na prorrogação.
Abaixo, selecionamos 10 dos gols mais emocionantes da história da Copa do Mundo na prorrogação.
Mario Mandzukic – 2018
- Jogo: Croácia x Inglaterra
- Fase: Semifinal
Depois de Ivan Perisic ter empatado o jogo após o golaço de falta de Kieran Trippier, a semifinal de 2018 entre Croácia e Inglaterra foi para a prorrogação.
O gol da vitória só saiu aos 109 minutos, marcado por Mario Mandzukic. O atacante reagiu mais rápido que John Stones a uma bola quicando na área e chutou para o fundo das redes, sem chances para Jordan Pickford. O gol garantiu a vaga da Croácia em sua primeira final de Copa do Mundo, e ao mesmo tempo decepcionou os ingleses.
Mandzukic marcou mais dois gols na final da Copa do Mundo, mas a Croácia acabou derrotada por 4 a 2 pela França.
Klaus Fischer – 1982
- Jogo: Alemanha Ocidental x França
- Fase: Semifinal
A vitória da Alemanha Ocidental sobre a França em 1982 é, sem dúvida, a semifinal mais dramática e controversa da história da Copa do Mundo. O jogo é frequentemente lembrado pela entrada violenta do goleiro alemão Harold Schumacher em Patrick Battiston, que deixou o zagueiro inconsciente e gravemente ferido.
Além disso, houve quatro gols na prorrogação em um emocionante empate por 3 a 3. O gol de Klaus Fischer aos 108 minutos completou a virada alemã, que estava perdendo por dois gols de diferença.
A Alemanha Ocidental venceu a França por 5 a 4 nos pênaltis e chegou a mais uma final, embora tenha perdido para a Itália.
Ahn Jung-hwan – 2002
- Jogo: Coreia do Sul x Itália
- Fase: Oitavas de final
Este foi outro confronto extremamente polêmico da Copa do Mundo. Houve um pênalti perdido pela Coreia do Sul, um cartão vermelho muito questionável para Francesco Totti, várias chances desperdiçadas pela Itália e um raro gol de ouro que garantiu a vitória.
Seol Ki-hyun já havia marcado a dois minutos do fim, empatando a partida após o gol inicial de Christian Vieiri e levando o jogo para a prorrogação. Mas a regra do gol de ouro estava em vigor, e ambas as equipes sabiam que mais um gol garantiria a vaga nas quartas de final. Ahn Jung-hwan foi o homem que marcou para a Coreia do Sul, vencendo Gianluigi Buffon com uma cabeçada aos 116 minutos.
A Coreia do Sul — coanfitriã da Copa do Mundo — tornou-se a primeira seleção asiática a chegar às quartas de final do torneio. Ahn, no entanto, viu seu contrato com o clube italiano Perugia ser rescindido pelo proprietário Luciano Gaucci no dia seguinte.
Fabio Grosso – 2006
- Jogo: Itália vs Alemanha
- Fase: Semifinal
Os torcedores italianos não precisaram esperar muito por lembranças mais felizes na prorrogação. Na Copa do Mundo de 2006, a Azzurra enfrentou a anfitriã Alemanha em uma semifinal épica, que terminou empatada sem gols após os 90 minutos.
Tudo indicava que o placar permaneceria zerado mesmo depois dos 120 minutos, mas, aos 119, Fabio Grosso acertou um magnífico chute de esquerda, colocado, superando o goleiro Jens Lehmann. O estádio em Dortmund ficou em silêncio — exceto pelos torcedores italianos, que comemoravam de forma eufórica.
Alessandro Del Piero ainda marcou o segundo gol, mas a noite foi de Grosso, que coroou sua atuação convertendo o pênalti decisivo na disputa final contra a França.
Mario Kempes – 1978
- Jogo: Argentina vs Holanda
- Fase: Final
A final da Copa do Mundo de 1978 entre Argentina e Holanda trouxe momentos históricos que seriam lembrados ao longo dos anos. Mario Kempes tornou-se o primeiro de três argentinos a marcar um gol na prorrogação de uma final de Mundial. Além disso, foi a primeira das duas finais que a Holanda perderia no tempo extra.
Já na segunda metade da prorrogação, Kempes passou pela defesa holandesa com habilidade antes de finalizar para o gol vazio, após o goleiro Jan Jongbloed defender seu primeiro chute. Foi o segundo gol de Kempes na partida. Daniel Bertoni ainda marcou mais um, fechando a vitória por 3 a 1 e garantindo à Argentina seu primeiro título mundial.
Lionel Messi – 2022
- Jogo: Argentina vs França
- Fase: Final
Depois dos títulos conquistados por Kempes em 1978 e por Maradona em 1986, a Argentina teve de esperar angustiantes 36 anos para erguer novamente o troféu.
A conquista veio no Catar, com Lionel Messi protagonizando uma campanha brilhante nas fases decisivas, reforçando seu nome entre os maiores da história do futebol.
O camisa 10 já havia marcado de pênalti no primeiro tempo, ajudando a Argentina a abrir 2 a 0 contra a então campeã França. Porém, após a reação impressionante dos franceses, Messi foi decisivo outra vez: aos 108 minutos, aproveitou o rebote de uma defesa de Hugo Lloris e marcou, colocando a Albiceleste novamente em vantagem.
Kylian Mbappé – 2022
- Jogo: Argentina vs França
- Fase: Final
A reação da França foi praticamente conduzida por Kylian Mbappé, que se tornou apenas o segundo jogador da história a marcar um hat-trick em uma final de Copa do Mundo.
Após marcar dois gols em apenas dois minutos e levar a partida para a prorrogação, o atacante levou a decisão para os pênaltis com mais uma cobrança perfeita — a segunda dele no jogo — anulando o gol que Messi havia marcado dez minutos antes.
Mbappé ainda converteu sua cobrança na disputa por pênaltis, mas nem todos os seus companheiros fizeram o mesmo, o que o torna talvez o vice-campeão mais azarado da história do futebol.
Mario Götze – 2014
- Jogo: Alemanha vs Argentina
- Fase: Final
A alegria de Messi e da Argentina em 2022 foi ainda mais intensa por causa da frustração vivida no Brasil, oito anos antes.
Em uma final extremamente equilibrada, Alemanha e Argentina disputavam sua terceira decisão de Copa do Mundo entre si.
O gol decisivo saiu dos pés do substituto Mario Götze, que, aos 113 minutos, acertou um belo voleio para vencer Sergio Romero e garantir o quarto título mundial da Alemanha — o primeiro como nação reunificada.
Andrés Iniesta – 2010
- Jogo: Espanha vs Holanda
- Fase: Final
Quatro anos antes, outro meio-campista marcou ainda mais tarde para assegurar uma dramática vitória por 1 a 0 na final.
Andrés Iniesta sempre teve o talento para aparecer em momentos decisivos. Nenhum gol foi maior do que o chute firme que superou Maarten Stekelenburg, da Holanda, em Joanesburgo, em 2010, garantindo à Espanha seu primeiro e único título mundial.
A comemoração tornou o momento ainda mais marcante: Iniesta tirou a camisa para revelar uma homenagem a Dani Jarque, que havia falecido tragicamente de parada cardíaca dez meses antes.
Geoff Hurst – 1966
- Jogo: Inglaterra vs Alemanha Ocidental
- Fase: Final
Geoff Hurst ocupa um lugar único na história: é o único jogador a marcar dois gols na prorrogação de uma final de Copa do Mundo, além de ter sido o primeiro a anotar um hat-trick em uma decisão.
Depois que Wolfgang Weber empatou a partida nos minutos finais e levou o jogo à prorrogação, Hurst marcou aos 101 minutos aquele que é possivelmente o gol mais controverso da história das Copas. Até hoje há debate se a bola realmente ultrapassou totalmente a linha do gol.
Seu terceiro gol foi menos polêmico: o atacante inglês acertou um potente chute no ângulo, praticamente no último lance da partida, dando origem à famosa narração: “They think it’s all over… it is now!” (“Eles acham que acabou… agora acabou!”).
O gol confirmou seu hat-trick e garantiu à Inglaterra seu único título mundial.
Sessenta anos depois, será que alguém acrescentará seu nome a essa lista ilustre de heróis da prorrogação em Copas do Mundo?