
O Manchester United tem sofrido neste início de temporada. Mas o seu principal problema ofensivo pode não ser o que a maioria das pessoas imagina.
Muito se falou dos Red Devils desde que Michael Carrick assumiu como interino, em janeiro. O ex-meio-campista normalmente tem times que dominam a bola e o território, jogando num ritmo mais lento e com sequências de passes elaboradas, como nas melhores versões do seu Middlesbrough, de 2022 a 2025.
Em vez disso, ele escolheu uma abordagem completamente diferente ao voltar a Old Trafford. Tanto que estreou vencendo o Manchester City por 2 a 0, acumulando 2,3 de gols esperados contra 0,5 dos Citizens com apenas 32% de posse. E em seguida foi ao Emirates e bateu o Arsenal por 3 a 2, com 44% de posse.
Carrick também venceu todos os outros times do chamado “Big Six”: Tottenham (2 a 0), Chelsea (1 a 0) e Liverpool (3 a 2). O United só teve mais bola do que o adversário contra o Tottenham de Thomas Frank, num jogo em que Cristian Romero foi expulso no primeiro tempo.
Na temporada atual, porém, os Red Devils não conseguem ditar o jogo. Por mais que seja mais fácil para qualquer clube do mundo criar chances em transição do que construir contra defesas armadas, o United parece não dar conta dessa responsabilidade.
Mas criar chances talvez não seja o problema principal.
Por que converter as chances é o maior problema do United?
Há alguns fatores que explicam facilmente por que o Manchester United está tão pior nesta temporada em relação à anterior. O time tinha muito mais descanso entre os jogos, já que disputava só a Premier League quando Carrick assumiu.
E agora constrói contra blocos baixos quase o dobro das vezes (48,5 por jogo) em comparação com a temporada passada (26,5 por jogo).
Ainda assim, os Red Devils seguem entre os seis melhores em várias estatísticas de criação. São o segundo da Premier League em xG nesta temporada (9,6), atrás apenas do Brighton.

O United também é o sexto em grandes chances (15), o quinto em finalizações com 0,15 ou mais de xG (15) e o quinto em finalizações com 0,20 ou mais de xG (11).
E algumas delas teriam feito toda a diferença se tivessem entrado. O chute de Bruno Fernandes na trave no primeiro tempo contra o Fulham, ou a finalização de Bryan Mbeumo no último minuto da derrota para o Manchester City.
Sem contar a tentativa de Patrick Dorgu no segundo pau e a chance perdida por Mbeumo em contra-ataque, ambas na derrota para o Hull City na rodada de abertura.
Individualmente, também há números que se destacam. Dois dos três jogadores com mais chances criadas na Premier League até aqui são do Manchester United.

“Então o que exatamente está dando errado?”, alguém poderia perguntar. O problema é o que eles fazem com essas chances.
O United pode ser o sexto da Premier League em grandes chances. Mas também é o quinto em grandes chances perdidas (10). Ironicamente, o seu aproveitamento de 33% está acima da média da liga, que é de 32%.
O time de Carrick também é o 15º em desempenho de xG, marcando 1,6 gol a menos do que o esperado.
E a pior parte não é só que as chances estão sendo perdidas. É o quão mal elas estão sendo desperdiçadas.

Os 9,6 de xG dos Red Devils caem para 6,4 de xG pós-finalização. Isso significa que as chances de marcar são maiores antes do chute do que depois dele. Nenhum outro time tem sido tão ruim na colocação das finalizações quanto o United. A diferença de -3,2 é, de longe, a pior da liga. Fulham (-2,3) e Nottingham Forest (-2,6) também estão abaixo de -2. Os outros 17 times estão de -1,2 para cima.
Claro que ser mais letal não transformaria o Manchester United num grande time da noite para o dia. O time ainda cai em maus hábitos, abrindo o jogo pelos lados e jogando cruzamentos aleatórios na área com facilidade demais.
Sem falar do outro lado do campo. Por mais que crie boas oportunidades, o United também cede muitas. Mas existe um cenário em que os Red Devils marcam algumas das chances decentes que perderam e estão numa situação bem mais confortável.
Desperdiçar oportunidades é um defeito melhor de se ter do que não conseguir criá-las.
Mais sobre o Manchester United: veja a nossa análise do empate com o Fulham e por que a volta de Amad Diallo pode reorganizar o ataque.