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Análise: a arma subestimada de Scaloni na Argentina na Copa 2026

A Argentina chegou à final da Copa do Mundo pela segunda vez seguida, graças a um sólido Plano B.

Pouco antes de o torneio começar, escolhemos a Albiceleste como uma das seleções mais intrigantes. A sua abordagem à moda antiga, de sobrecarregar o meio do campo, buscar conexões e jogar em proximidade, vai contra as tendências do futebol moderno. É também um time pouco físico no geral, que depende de um perfil mais técnico de jogadores.

Isso teve um preço, e a Argentina sofreu várias vezes no mata-mata. A batalha longa contra Cabo Verde cobrou a sua conta nos 16 avos e apareceu na rodada seguinte, contra o Egito. Também se manifestou diante da Suíça, mas o cartão vermelho de Breel Embolo facilitou as coisas. E, mesmo longe do seu melhor, a Argentina chegou à final após uma vitória heroica sobre a Inglaterra. Agora é ela contra a Espanha pelo título. Confira o nosso guia da Copa do Mundo 2026.

Lionel Scaloni prioriza as combinações centrais, os passes curtos e rápidos e a liberdade de movimento. É o DNA desta Argentina, aquilo a que ela recorre o tempo todo. Mas, quando o jogo aperta, tem um plano B sólido, que talvez tenha sido o seu superpoder na Copa 2026, considerando como passou por Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra. E não, não é o de acertar chutes de longe, apesar das façanhas de Julián Álvarez e Enzo Fernández, ainda que isso certamente ajude.

Neste artigo, vamos abordar

  • As bolas paradas subestimadas
  • Os cruzamentos precisos
  • As cabeçadas mortais

As bolas paradas subestimadas

A Albiceleste é a primeira em gols de bola parada nesta Copa, com sete, e nenhuma outra seleção tem mais do que cinco. E, mesmo se tirarmos os dois gols de falta de Giovani Lo Celso e Lionel Messi contra a Jordânia na fase de grupos, ela segue na liderança, empatada com Inglaterra e Estados Unidos. Tirando também os pênaltis, a atual campeã continua em primeiro, porque marcou mais gols de escanteio do que qualquer outra seleção.

Não só isso: três dos quatro foram decisivos. A cabeçada de Lisandro Martínez que recolocou a Argentina na frente contra Cabo Verde e o gol contra de Diney Borges que selou a vitória, além do empate de Enzo Fernández sobre a Inglaterra. O outro foi a cabeçada de Alexis Mac Allister que abriu o placar na vitória sobre a Suíça.

Os cruzamentos precisos

Gols de bola parada são ótimos, mas muitos não aconteceriam sem os cruzamentos que os originam. E a Argentina está matando os adversários nesse quesito. A Albiceleste tem a quarta melhor taxa de acerto em cruzamentos na Copa, e a melhor entre as seleções que avançaram ao mata-mata. Aliás, são só quatro os times com 30% ou mais de acerto em cruzamentos.

E a Argentina faz de tudo: com efeito para dentro ou para fora, na primeira ou na segunda trave. Lionel Messi costuma ser o responsável, então o tipo de curva varia conforme o lado da cobrança. E ele tem estado certeiro: entre os 23 jogadores com mais cruzamentos tentados, Messi é o primeiro em acerto (41%). É também o segundo maior índice entre os 40 jogadores com mais de 15 tentativas, atrás do uruguaio Maxi Araujo (44%).

Contra a Inglaterra, os cruzamentos na segunda trave, com qualquer um dos pés, causaram todo tipo de problema à defesa alta de Thomas Tuchel. Foi exatamente assim que Lautaro Martínez fez o gol da vitória, no fim, com quase todos vindo do lado direito.

Mapa de cruzamentos da Argentina contra a Inglaterra na Copa do Mundo 2026

As entradas na primeira trave, para as cabeçadas de Mac Allister, deram pesadelos à Suíça.

Mapa de cruzamentos da Argentina contra a Suíça na Copa do Mundo 2026

No jogo contra Cabo Verde, foi uma mistura de tudo isso.

Mapa de cruzamentos da Argentina contra Cabo Verde na Copa do Mundo 2026

Contra o Egito, foi um nível ainda maior de sucesso: dois gols e outras quatro finalizações criadas diretamente de cruzamentos, fossem de jogo aberto ou de bola parada.

Mapa de cruzamentos da Argentina contra o Egito na Copa do Mundo 2026
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As cabeçadas mortais

O gol de cabeça de Fernández contra o Egito talvez tenha sido o mais bem colocado de toda a Copa 2026. Mas ele não foi o único. Cristian Romero fez uma cabeçada no mesmo jogo, Mac Allister apareceu contra a Suíça e Lautaro Martínez simplesmente não teve como errar a sua contra a Inglaterra.

Na verdade, as cabeçadas de Fernández e Mac Allister estão entre as cinco de maior diferença entre o xG pós-chute e o do momento da finalização. O meia do Chelsea transformou uma chance de 0,17 xG em 0,89 de xG no alvo (+0,72). A única cabeçada com variação maior foi a de Jan Paul van Hecke contra a Tunísia (+0,73). Mac Allister, por sua vez, transformou uma cabeçada de 0,14 xG em 0,78 de xG no alvo (+0,64), a quinta maior variação.

A Argentina é a primeira em gols de cabeça nesta Copa, todos marcados no mata-mata. E lidera também em percentual de gols de cabeça desde o fim da fase de grupos, entre as seleções que marcaram mais de três vezes (36%, 4 de 11). A Espanha chegou à final com um recorde histórico de jogos sem sofrer gols numa mesma Copa (seis), mas altura e força não são exatamente o seu forte. Pode ser um caminho para a Argentina levar vantagem no que promete ser um jogo duro para os dois lados.

Mais sobre a Copa do Mundo 2026: veja o nosso guia completo da Copa do Mundo 2026 e o chaveamento do mata-mata.