
A Noruega está nas quartas de final da Copa do Mundo, onde encara a Inglaterra por uma vaga entre os quatro melhores.
O time de Stale Solbakken chegou ao mata-mata em segundo no grupo, com duas vitórias em três jogos. A única derrota veio na última rodada, contra a França, quando Solbakken já tinha poupado bastante com a classificação garantida.
Isso colocou a Noruega diante da Costa do Marfim nos 16 avos, e Erling Haaland fez o gol da vitória aos 86 minutos para classificar os seus. Na sequência, contra o Brasil, Haaland foi o herói de novo, com dois gols para eliminar o pentacampeão. A Noruega de Haaland volta a ser ligeira azarã na quarta de final contra a Inglaterra. Mas será que pode aprontar outra? Confira o nosso guia da Copa do Mundo 2026.

Neste artigo, vamos abordar
- As rotações com a bola
- A dominância de Haaland
- A pressão e a rest defence
As rotações com a bola
A Noruega quer controlar a posse de bola. A ideia é manipular os esquemas de pressão do adversário e achar soluções para dominar o jogo. Foi um plano que surpreendeu o Brasil na vitória das oitavas. Vinícius Júnior chegou a ser perguntado se a estratégia era mesmo deixar a Noruega com a bola.
“Não, não era nada disso o nosso plano. A Noruega nos surpreendeu”, disse. “Eles se movimentaram muito bem, controlaram o jogo, como o (Martin) Ødegaard sempre faz.”
Ødegaard é peça central no jeito de jogar da Noruega. Como um meio-campista que participa de todas as fases, ele permite que a equipe manipule a pressão adversária. Visto muitas vezes como um jogador mais ofensivo, o meia do Arsenal baixa para testar a marcação e dar um +1 à Noruega na saída de bola. Isso cria um dilema para o adversário: seguir Ødegaard e marcar homem a homem, ou deixar a Noruega com o jogador a mais na construção?

Se o adversário não acompanha Ødegaard, a Noruega domina a bola com mais facilidade graças ao jogador a mais (+2 se contar o goleiro na saída curta), o que costuma desativar a pressão. Foi o que aconteceu contra o Brasil: a Seleção não conseguiu encaixar a marcação justamente por causa do movimento de Ødegaard.
A Noruega é um pesadelo para pressionar. Se você não segue, dá a ela o +1 na saída, mas fica com um a menos na frente. E se resolve encaixar a marcação para tentar recuperar a bola, sobra Haaland livre. Quase nenhum treinador no mundo aceita deixar Haaland no um contra um, preferindo manter um a mais na última linha para dobrar a marcação em cima do centroavante.
A dominância de Haaland
Mesmo sem tocar na bola, a presença de Haaland na última linha já trava a pressão adversária. Quando os times tentam encaixar a marcação e seguir Ødegaard de forma mais agressiva, a Noruega sabe que tem um quatro contra quatro contra a defesa. Então opta por jogar mais direto, por cima da pressão. Nas poucas vezes em que o Brasil tentou pressionar com intensidade, a Noruega achou a bola direta em Haaland, gerou caos e criou ataques do nada.

Pelos mesmos motivos, Haaland é uma das maiores ameaças em transição no mundo. Os zagueiros não conseguem dobrar a marcação nele com facilidade. Foi assim no seu primeiro gol contra o Senegal, na fase de grupos: ele saiu em transição, recebeu o lançamento e ficou de frente para o goleiro para empurrar às redes.
Mas talvez o que faça de Haaland o goleador mais devastador do futebol seja a sua presença na área. A movimentação do jogador de 25 anos é de elite, com uma leitura de espaço e de tempo de bola de nível mundial. O primeiro gol dele contra o Brasil resumiu isso: primeiro, ele manteve distância de Gabriel logo fora da área. Depois, quase se desligando e dando passos curtos e lentos em direção à área, Haaland levou o zagueiro a uma falsa sensação de segurança. No instante em que Gabriel desviou o olhar para conferir o cruzamento, Haaland já tinha disparado: partiu para chegar com velocidade por cima do marcador, subindo mais alto para cabecear e colocar a Noruega na frente.

A pressão e a rest defence
Sem a bola, a Noruega pressiona as saídas adversárias num losango 4-1-3-2. É agressiva, mas mantém um a mais na linha defensiva. Ao empurrar a bola para um lado, o trio mais adiantado desliza para marcar os dois volantes e o lateral do lado da bola. Isso libera o volante de contenção para cobrir a linha defensiva, e também para seguir um jogador central que gire para fora da estrutura de pressão. Com isso, a linha de quatro norueguesa fica intacta, garante o jogador a mais e deixa menos espaços para o adversário explorar com bolas nas costas.

Quando baixa as linhas, a Noruega se organiza num bloco médio 4-1-4-1/4-5-1. Ødegaard pode saltar para formar um 4-4-2, dependendo do desenho do adversário. Assim, a Noruega protege o meio e obriga os rivais a contornar o bloco pelos lados, onde são recebidos pela dobra do ponta e do lateral daquele lado.
No entanto, a Noruega é um pouco frágil na sua rest defence, a estrutura que fica atrás durante os ataques, porque as rotações no meio-campo podem expô-la. Com os laterais subindo bastante (sobretudo Julian Ryerson pela direita), se os meias são pegos com a bola durante as rotações, os três defensores que sobram ficam vulneráveis às transições. Isso apareceu algumas vezes contra o Brasil, que, por sorte da Noruega, não soube aproveitar.
A Noruega será um teste duro para a Inglaterra. Tuchel terá a missão de montar um plano para conter a ameaça norueguesa e, ao mesmo tempo, a chance de explorar as fragilidades dessa pressão e dessa rest defence.
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