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Análise tática: a aula de Tuchel na vitória da Inglaterra sobre o México

Thomas Tuchel comandou uma das melhores vitórias da história da Inglaterra em Copas, ao bater o México por 3 a 2 no Azteca e chegar às quartas de final.

Com vários fatores contra, a Inglaterra era vista por muitos como a segunda favorita no jogo. A altitude e o mando mexicano eram tidos como dificuldades enormes de superar, mas os ingleses passaram. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.

Os ajustes táticos de Tuchel foram decisivos para equilibrar o jogo o máximo possível, e cada jogador executou o plano à perfeição.

Planos para neutralizar o início

Os primeiros 20 minutos seriam vitais, já que o México começaria em alta velocidade, tentando usar a torcida a seu favor. Pressão alta, jogo direto e o público do lado: Tuchel precisava de um plano para neutralizar essa ameaça inicial. Ele armou a Inglaterra num 4-2-3-1, mas com Declan Rice como o meio-campista da direita, apesar de ter jogado mais pela esquerda nos jogos anteriores. Com Jarell Quansah na lateral direita, Rice trocava de posição e aparecia em zonas mais recuadas de lateral, esticando as distâncias da pressão mexicana e buscando desconectar a marcação alta.

Estatísticas da Inglaterra na vitória sobre o México na Copa do Mundo 2026

Enquanto tentava manter a posse e baixar o ritmo nas fases mais organizadas, a Inglaterra não corria muitos riscos na saída de bola. Nas reposições, Tuchel mandou o time bater longo e passar por cima da pressão mexicana, armando-se num 4-2-4 e indo direto.

Análise tática de Inglaterra x México: a saída direta em 4-2-4 de Tuchel
Imagem via JLA Tactics Board

O plano sem a bola tinha de combinar com as ideias com a bola, ainda buscando tirar o ímpeto inicial do jogo e administrar o desgaste em condições difíceis. A Inglaterra se armou num 4-4-2 mais passivo, dando ao México um 3 contra 2 na primeira linha, com Erik Lira baixando para criar o +1. Os homens de lado e os dois meio-campistas tinham as suas referências para sair na pressão, mas mantinham uma posição de partida compacta para bloquear o meio do campo. Os gatilhos de pressão não foram perfeitos, mas a entrega coletiva para proteger o espaço e atrasar a jogada atrás da linha da bola compensou.

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Kane e Bellingham, os craques

Harry Kane e Jude Bellingham têm aparecido nos grandes momentos ao longo de todo o torneio. E não foi diferente contra o México: o doblete de Bellingham, cronometrado com perfeição, aliviou a pressão sobre a Inglaterra depois de uma meia hora inicial sofrida. O primeiro gol saiu de um contra-ataque, com Rice conduzindo a bola por uns 30 ou 40 metros antes de achar Bukayo Saka isolado num 1 contra 1 pela ponta. Quando Saka venceu o seu marcador por fora, foi Bellingham quem chegou de fora da área, atacando o espaço nas costas de Kane, para cabecear para o gol.

Comparação de estatísticas de Kane e Bellingham em Inglaterra x México na Copa 2026

O segundo gol, porém, mostrou por que a dinâmica entre Kane e Bellingham funcionou tão bem neste torneio. Uma das melhores qualidades de Bellingham é a de chegar à área e marcar, algo potencializado pela forma como Kane joga. No contra-ataque do segundo gol, Bellingham achou Kane dentro da área, que devolveu de calcanhar para Bellingham seguir a jogada e balançar a rede, fazendo 2 a 0. Ao permitir que a dupla se complete, Bellingham chega em zonas perigosas para invadir a área, enquanto Kane tem mais opções de passe e homens em movimento para receber ou tirar a atenção de cima dele.

Esforço defensivo hercúleo

Por mais impressionantes que tenham sido os ajustes iniciais e a parceria de Kane e Bellingham, foram as mudanças no fim que definiram o jogo. Depois de Quansah receber o cartão vermelho aos 54 minutos, Tuchel teve de proteger a vantagem com 10 homens nos 35 minutos finais (mais acréscimos). Vale mencionar que o momento do terceiro gol inglês, logo após o vermelho, ajudou a aliviar essa pressão por um tempo.

Mesmo com a troca de Saka por John Stones, levando Ezri Konsa para a lateral direita numa linha de quatro, foram as mudanças depois de o México fazer o 3 a 2 que impressionaram. Para proteger o que a Inglaterra tinha conquistado, Tuchel decidiu passar para uma linha de cinco nos 15 minutos finais (mais acréscimos).

Inglaterra x México: a mudança de Tuchel para a linha de cinco no 5-3-1
Imagem via JLA Tactics Board

Nico O’Reilly e Elliot Anderson deram lugar a Djed Spence e Dan Burn, colocando a Inglaterra num 5-3-1 sem a bola. Os ingleses fizeram um ótimo trabalho ao ficar num bloco fechado, protegendo o miolo e forçando o México a jogar pelos lados para cruzar. Isso caiu bem para o time de Tuchel após as mudanças, somando muita altura para defender a área e mantendo a entrega de Bellingham, Rice e Anthony Gordon no trio de meio-campo. Quando a bola ia para o lado, o jogador daquele lado (Bellingham ou Gordon) se deslocava incansavelmente para pressionar, com o resto do bloco se ajustando junto. Foi uma atuação determinada, resoluta e sofrida da Inglaterra nos 25 minutos finais (após 11 minutos de acréscimos), que mereceu por completo a vitória e a vaga nas quartas.

Noruega pela frente?

Tuchel terá algumas decisões a tomar, táticas e de escalação, para o jogo contra a Noruega no fim de semana. Com Erling Haaland já com sete gols, um dos principais pontos táticos será como a Inglaterra pode anular a sua ameaça de gol. O jogador de 25 anos não precisa de muitos toques para ser eficiente: a chave será como defendê-lo dentro da área e cortar o seu abastecimento.

Com Quansah suspenso pelo vermelho e Reece James ainda se recuperando de lesão, a definição da lateral direita será uma dúvida. Também há a condição física de Rice a considerar, num momento em que é preciso administrar as forças nestas fases finais sem se esgotar antes de chegar à semifinal e à final. Uma abordagem passiva parecida funcionaria para a Inglaterra contra uma Noruega que teve 66% de posse diante do Brasil, ou Tuchel vai preferir voltar a um jogo mais baseado na posse?

Mais sobre a Copa do Mundo 2026: veja o nosso guia completo da Copa do Mundo 2026 e o chaveamento do mata-mata.