
Holanda x Marrocos terminou com a Holanda eliminada da Copa do Mundo 2026, derrotada nos pênaltis pelo Marrocos na madrugada de terça-feira (horário de Brasília).
Uma Holanda defensiva absorveu a imensa pressão marroquina e até abriu o placar aos 72 minutos, com Cody Gakpo, após um belo trabalho de Wout Weghorst e Crysencio Summerville. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.
No entanto, a pressão acabou cobrando o preço, e o Marrocos empatou logo no primeiro minuto dos acréscimos do segundo tempo, com Issa Diop.
Nenhuma das seleções marcou na prorrogação, e o Marrocos venceu a disputa de pênaltis por 3 a 2, após três cobranças perdidas pelos holandeses.
O Marrocos agora enfrenta o anfitrião Canadá nas oitavas de final, enquanto a Holanda falhou em chegar às oitavas de uma Copa pela primeira vez desde 2006.
As táticas defensivas de Koeman saem pela culatra
É preciso se perguntar o que Ronald Koeman estava pensando com a sua tática neste mata-mata.
A Holanda foi uma das equipes mais empolgantes de todo o torneio na fase de grupos, invicta e com 10 gols em três jogos, incluindo um 5 a 1 sobre a Suécia.
Contra o Marrocos, porém, o plano era claro: brigar, frustrar, defender. Em vez de levar o jogo à campeã africana, usando as ameaças de Brian Brobbey, Cody Gakpo e companhia, além da qualidade de Frenkie de Jong e Ryan Gravenberch com a bola, a Holanda mostrou respeito excessivo ao adversário, abrindo mão de 70% da posse.

Verbruggen fez cinco defesas na noite, enquanto só Jan Paul van Hecke foi obrigado a quatro desarmes, dois cortes, duas interceptações e três recuperações, além de seis duelos aéreos e sete no chão, vencendo cinco e quatro, respectivamente.
Koeman quase se deu bem quando Gakpo colocou a Holanda à frente. Mas a pressão falou mais alto no primeiro minuto dos acréscimos, quando Issa Diop completou o cruzamento de Chemsdine Talbi.
A Holanda seguiu defendendo na prorrogação e terminou superada nas finalizações por 11 a 6, parecendo jogar para os pênaltis. E foi exatamente ali que veio o castigo: os holandeses capitularam nas cobranças, perdendo por 3 a 2 após erros de Justin Kluivert, Quinten Timber e Summerville.

O momento mágico de Gakpo
Chamar de “semana difícil” o que Cody Gakpo e a sua família viveram nem chega perto de descrever. Foi a pior semana possível, com a notícia trágica do aborto espontâneo sofrido pela sua esposa, Noa van der Bij.
Mesmo assim, Gakpo se colocou à disposição da Oranje para este confronto diante de um Marrocos formidável e, como o futebol tantas vezes faz, a história encontrou um jeito de escrever o roteiro perfeito.
Gakpo apareceu com mais um momento decisivo para a Holanda, cronometrando a corrida com perfeição e não desperdiçando a finalização já na reta final do segundo tempo. A reação do ponta do Liverpool após marcar, caindo ao chão e emergindo de uma pilha de camisas laranja em lágrimas, foi completamente compreensível.
Independentemente das circunstâncias, não deveríamos nos surpreender por ter sido Gakpo a aparecer quando a Holanda mais precisou. Afinal, foi o sexto gol do jogador de 27 anos em Copas, igualando nomes como Arjen Robben, Dennis Bergkamp e Robin van Persie, com apenas Johnny Rep tendo marcado mais (7).
É uma pena que o gol não tenha levado a Holanda às oitavas de final.
A parada para hidratação ataca de novo
Muito se falou das paradas para hidratação nesta Copa, com a torcida nos estádios vaiando-as por causa da insistência da Fifa em mantê-las mesmo em condições amenas ou em estádios com ar-condicionado.
Mas talvez a maior reclamação tenha sido o efeito das paradas no fluxo dos jogos, com o momentum quase sempre mudando de lado num intervalo de tempo curto demais depois de os jogadores se reunirem para beber líquidos e receber instruções táticas.
Foi certamente o caso aqui, e foi a Holanda quem se beneficiou nas duas ocasiões.

O Marrocos pressionava muito a Holanda no primeiro tempo, com Bilal El Khannouss e Hakimi forçando boas defesas de Verbruggen. Então veio a parada para hidratação, que permitiu aos holandeses se reorganizarem e, de repente, retomarem o controle do jogo.
O segundo tempo foi ainda mais gritante, com o Marrocos novamente dominante, só para se ver contra a parede e perdendo por 1 a 0 apenas quatro minutos após a parada para hidratação.
Uma inclusão discutível neste torneio, que está tendo um efeito enorme no rumo de cada partida. Mas tudo isso só aumenta o drama.
Mais sobre a Copa do Mundo 2026: veja o nosso guia completo da Copa do Mundo 2026 e o chaveamento do mata-mata.