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Análise tática: a Inglaterra de Tuchel ganha forma na Copa 2026

A Inglaterra terminou em primeiro no seu grupo, somando sete pontos em três jogos: venceu a Croácia, empatou com Gana e depois bateu o Panamá.

Embora o time de Thomas Tuchel tenha avançado ao mata-mata com relativa facilidade, houve muita crítica à Inglaterra nos dois últimos jogos. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.

Diante do bloco baixo de Gana, no 0 a 0, e depois da linha de cinco um pouco mais agressiva do Panamá, a Inglaterra penou por três tempos de futebol.

Ainda assim, os dois jogos trouxeram bons aprendizados para Tuchel sobre o seu elenco e sobre como lidar com esses tipos de blocos defensivos, teimosos, mas diferentes entre si.

Neste artigo, vamos abordar

  • Padrões de largura dupla
  • Corridas em profundidade
  • O “novo” papel de Bellingham
  • E daqui para frente?

Padrões de largura dupla

Padrões parecidos apareceram nos jogos contra Gana e Panamá: a Inglaterra de Tuchel buscou usar a largura dupla para isolar os pontas em situações de 1 contra 1.

Os dois laterais começavam um pouco mais baixos e fechados, prendendo os meias abertos do Panamá no seu 5-4-1.

Isso fazia duas coisas: abria um passe mais fácil para o ponta na ponta do campo e dificultava a chegada do zagueiro de cobertura para dobrar a marcação sobre o ponta.

Análise tática da Inglaterra de Tuchel: padrão de largura dupla contra o Panamá
Imagem via JLA Tactics Board

Não eram só os laterais criando esses momentos de largura dupla para melhorar as condições do ponta no 1 contra 1: Morgan Rogers também flutuava para fora do bloco.

Com Jarell Quansah na lateral direita, mas de forma mais passiva, criava-se espaço no eixo entre ele e Bukayo Saka para receber. Saka prendia o ala esquerdo do Panamá, enquanto Quansah atraía a pressão do meia esquerdo, abrindo o espaço entre eles.

Inglaterra de Tuchel: espaço criado entre lateral e ponta no ataque pela direita
Imagem via JLA Tactics Board

Os padrões para explorar as pontas do campo são, claramente, uma ênfase de Tuchel, que busca evitar as perdas de bola pelo meio.

Faz sentido quando se pensa no perfil do elenco: não há tantos jogadores de articulação entre as linhas, mas sim gente que segura a largura e tem altura na área. Bukayo Saka e Marcus Rashford somaram 11 cruzamentos contra o Panamá, com Nico O’Reilly, Harry Kane, Jude Bellingham e Rogers atacando a área.

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Corridas em profundidade

Outro princípio que apareceu contra o Panamá, mas não tanto contra Gana, deve-se em boa parte às diferenças nos esquemas defensivos.

Enquanto Gana recuava rápido para um bloco baixo no 4-5-1, o Panamá ficava mais tempo num bloco médio 5-4-1.

Isso deixava espaço nas costas da linha defensiva panamenha para explorar, algo para o qual Tuchel montou esta seleção, com muitos corredores ao redor de Kane no campo de ataque.

Fosse Rogers buscando o espaço quando Kane recuava, Bellingham cronometrando a corrida após primeiro baixar, ou um dos pontas fazendo o movimento de fora para dentro.

Inglaterra de Tuchel: corridas em profundidade nas costas da defesa do Panamá
Imagem via JLA Tactics Board

A Inglaterra tem velocidade para explorar esses cenários, mas talvez sofra na execução por causa da qualidade dos passadores de saída no elenco.

Se Kane não baixa para dar esses passes, a responsabilidade recai sobre Elliot Anderson, com Reece James lesionado e nomes como Adam Wharton e Trent Alexander-Arnold fora da convocação.

O “novo” papel de Bellingham

O papel de Bellingham foi crucial em vários sentidos contra o Panamá, substituindo tecnicamente Declan Rice como o camisa 8 box-to-box, enquanto Rogers virava o camisa 10.

O craque do Real Madrid teve mais liberdade nessa função de meio-campo completo, permitindo que a estrutura alternasse entre um 3-2-5 e um 3-1-6.

Às vezes, Bellingham baixava ao lado de Anderson para ajudar na saída de bola e atrair mais um marcador da linha de meio-campo adversária. Em outras, flutuava para os lados para criar superioridade, fazendo corridas em profundidade e buscando receber entre as linhas.

Estatísticas de Jude Bellingham na Inglaterra de Tuchel contra o Panamá

A movimentação constante de Bellingham dificultou a marcação do Panamá, que muitas vezes queria proteger o espaço à frente da linha defensiva.

Bellingham também foi decisivo nesse papel pelo impacto no jogo: marcou o gol de abertura, deu a assistência para o segundo e trabalhou bastante na marcação. O meia de 22 anos venceu os quatro desarmes que tentou, ganhou 11 dos 15 duelos no chão e fez sete recuperações de bola.

E daqui para frente?

A Inglaterra encara a RD Congo nos 16 avos de final, o que vai propor um quebra-cabeça parecido: um adversário montado num 5-3-2 sem a bola.

A linha de cinco congolesa fica relativamente fechada no próprio campo, deixando espaço para os homens de lado e abrindo as inversões de jogo.

Os cruzamentos para a área devem ser a chave mais uma vez, já que Portugal encontrou o seu gol contra a RD Congo justamente assim.

Uma grande diferença pode ser a presença de dois atacantes da RD Congo no contra-ataque, o que provavelmente fará a Inglaterra deixar mais um jogador junto aos dois zagueiros para administrar as transições.

De todo modo, Tuchel vai querer superar qualquer desafio e avançar de fase. Resta ver como a Inglaterra se sai diante de mais um teste contra uma linha de cinco, na quarta-feira.

Mais sobre a Copa do Mundo 2026: veja o nosso guia completo da Copa do Mundo 2026 e o chaveamento do mata-mata.