
Jordânia x Argentina terminou com vitória da Argentina por 3 a 1, com nove jogadores fazendo a sua estreia como titulares na Copa do Mundo 2026.
Com a liderança do Grupo J já garantida, Lionel Scaloni escalou a Albiceleste com um XI completamente diferente. Dibu Martínez e Lautaro Martínez eram os únicos titulares de costume. Lionel Messi, Alexis Mac Allister e Thiago Almada entraram por volta dos 60 minutos. Veja o nosso guia da Copa do Mundo 2026 para o quadro completo.
E, embora a Jordânia tenha descontado no segundo tempo, o primeiro tempo trouxe um desenho tático novo e bem interessante da atual campeã.
Scaloni optou por um 4-3-3 assimétrico, com Julián Álvarez e Lautaro Martínez trocando constantemente entre o centroavante e um segundo atacante pela esquerda.
Giuliano Simeone deu largura pela direita, enquanto Giovani Lo Celso se fechava por dentro pela esquerda, formando um trio de meio-campo com Nico Paz e Leandro Paredes como volante de saída de bola atrás deles.

Jordânia x Argentina: como a Albiceleste mudou a abordagem
Intensidade defensiva
Esse grupo específico de jogadores oferece muito mais energia sem a bola. Álvarez e Simeone estão acostumados a perseguir zagueiros e pressionar adversários no Atlético de Madrid, e deram ao ataque argentino uma postura agressiva sempre que a posse era perdida.
Para se ter ideia, a Albiceleste registrou o seu menor PPDA (passes do adversário por ação defensiva, ou seja, quanto menor, mais intensa a pressão) em um jogo nesta Copa contra a Jordânia, e por uma boa margem.
| Adversário | PPDA da Argentina |
|---|---|
| Argélia | 20,0 |
| Áustria | 15,2 |
| Jordânia | 8,6 |
No primeiro tempo desta noite, quando tiveram mais intenção, o PPDA ficou em 7,6. A atual campeã tirou um pouco o pé do acelerador na etapa final, depois de abrir 2 a 0.

Largura e preferência pela direita
Ter um ponta de origem como Giuliano Simeone dá à Argentina a opção de alargar o campo. Não é a configuração habitual da equipe, que sempre busca sobrecarregar o corredor central e jogar pelo meio.
É verdade que, sempre que Nico González entra, ele oferece uma alternativa parecida, mas pela esquerda. E ele costuma ser o único ponta a sair do banco.
Nesta noite, a presença de Simeone não só mudou essa dinâmica, dando largura pela direita, como o time inteiro favoreceu completamente aquele lado. Praticamente ignoraram o centro, que é a rota preferida para atacar.

Exequiel Palacios, como volante de saída a partir da lateral direita, foi crucial para o controle do jogo por aquele setor.
Para comparar, veja a distribuição da Argentina pelos lados em todos os jogos completos até aqui. Lembre-se de que Scaloni colocou alguns titulares no segundo tempo contra a Jordânia, incluindo Lionel Messi, o que condicionou o jogo central no resto da partida.
| Adversário | Esquerda | Centro | Direita |
|---|---|---|---|
| Argélia | 41% | 33% | 26% |
| Áustria | 32% | 38% | 29% |
| Jordânia | 22% | 31% | 48% |
Bolas paradas
Os três gols da Argentina contra a Jordânia saíram de bolas paradas. Mas duas faltas diretas e um pênalti não contam toda a história do perigo que eles criaram nessas situações.
Tem mais a ver com a mentalidade num jogo que, teoricamente, não valia nada para eles. Os jogadores mostraram muita energia e atenção, sobretudo na primeira meia hora.
Lo Celso marcou uma falta brilhante, mas foi a sua antecipação à bola que o levou a sofrer a falta perto da área, em primeiro lugar. É mais um exemplo de como forçaram a Jordânia ao erro logo após a perda de posse.
Marcos Senesi também se antecipou ao zagueiro, que acabou acertando um chute no rosto dele. E toda essa sequência começou em um escanteio. Nicolás Otamendi quase marcou em outra bola parada pouco antes do intervalo.
Claro, a Argentina diminuiu o ritmo no segundo tempo e, num raro lapso de concentração, até sofreu um gol. Mas o brilho de Messi acabou aparecendo para selar o resultado, e o transformou no primeiro jogador a marcar em sete jogos consecutivos de Copa do Mundo.
A Albiceleste agora enfrenta Cabo Verde nos 16 avos de final.
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