
Um dos principais problemas do Brasil na estreia da Copa do Mundo 2026 contra o Marrocos esteve na posição de lateral-direita.
A Seleção sofreu diante dos Leões do Atlas, sobretudo no primeiro tempo. Os comandados de Mohamed Ouahbi controlaram a posse nos 15 minutos iniciais e, mesmo sem a bola, criaram mais perigo do que os pentacampeões do mundo.
Nós destacamos a disputa do meio-campo como a principal vantagem do Marrocos. Ayyoub Bouaddi e Neil El Aynaoui dominaram o centro do gramado, enquanto Casemiro e Bruno Guimarães não conseguiram acalmar o jogo nem levar o Brasil para frente.

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E, embora o volante que está de saída do Manchester United tenha sido um dos piores em campo naquele dia e não tenha voltado para o segundo tempo, ele não foi o único: outro jogador rendeu ainda menos.
Roger Ibánez, do Al-Ahli, foi escolhido como lateral-direito titular após o corte de Wesley por lesão. Mas a coisa não saiu como Carlo Ancelotti provavelmente esperava.
O que o Brasil pode fazer para melhorar na lateral-direita?
As dificuldades de Ibánez com a bola contra o Marrocos
Antes de tudo, é preciso lembrar que Ibánez é, na origem, um zagueiro. Isso ajuda a explicar parte das suas dificuldades diante de um time leve e habilidoso como o Marrocos.
Ancelotti pode mantê-lo como titular na lateral porque a tendência é que as coisas fiquem mais fáceis no restante da fase de grupos. Haiti e Escócia não oferecem a mesma ameaça pelos lados que o Marrocos, e essa é a chance de deixar o jogador de 27 anos se ajustar á posição.
Mas isso não muda o fato de que ele prejudicou o Brasil nos dois lados do campo. Vamos começar pela parte ofensiva.

Ibánez teve uma atuação pobre com a bola nos pés, oferecendo pouca ameaça ou profundidade nos passes. Faltou confiança para arriscar e, quando tentou passes mais incisivos, nada deu certo.
Mais do que isso, foi a partir daí que o Marrocos saiu em contra-ataque e chegou ao belo gol de Ismael Saibari, que abriu o placar.
Lucas Paquetá levou a maior parte da culpa pela perda de posse. Mas foi o passe de Ibánez que o colocou numa situação delicada.
Desequilíbrio defensivo
No lado defensivo, que deveria ser o seu ponto forte, foi ainda pior. Claro, é difícil para um zagueiro marcar pontas rápidos por longos períodos. Mas Ibánez é um defensor móvel e deveria render mais do que rendeu.
Por sorte para ele, o Marrocos buscou mais o lado direito de ataque. Porque Noussair Mazraoui e, principalmente, Bilal El Khannouss tiveram muito sucesso jogando pela esquerda.


Problemas na convocação
Danilo estabilizou o time, por assim dizer, no segundo tempo. Mas ele entrou na lista muito mais pela liderança e influência no grupo do que pelo que entrega em campo, ainda mais considerando que há alguns anos atua mais como zagueiro.
Como Ancelotti já trabalhou com o defensor do Flamengo e parece confiar nele, há a chance de que ele assuma a vaga de lateral-direito titular do Brasil. Poderia até funcionar contra Haiti e Escócia, mas pode virar um problema nas fases finais. Além disso, ele tem 34 anos e vem sofrendo com lesões no último ano e meio.
Fora isso, não há muito mais o que fazer. O treinador italiano chamou o volante Ederson para a vaga de Wesley, o que significa que o Brasil não tem um lateral-direito de ofício no elenco.
As opções são Ibánez, Danilo e, possivelmente, Fabinho – que não joga com regularidade como lateral-direito no clube desde os tempos de Monaco. Sem contar que ele substituiu Casemiro muito bem e foi parte do motivo da melhora da Seleção no segundo tempo contra o Marrocos. O Brasil pode precisar dele como alternativa no meio-campo.
Ou seja, Ancelotti já tinha um cenário difícil com Éder Militão fora desde abril e Wesley cortado de última hora. Ele insistiu na decisão inicial de escalar um zagueiro na lateral-direita (primeiro Militão, depois Ibánez) e optou por não convocar um jogador de ofício para a posição.
Agora, só resta torcer para que Ibánez se acerte ou para que Danilo consiga segurar a barra no restante do torneio.
Mas a verdade é que o Marrocos pode ter aberto o caminho para que todos os adversários do Brasil dificultem a vida da Seleção conforme a Copa do Mundo avança.
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